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Existem Escravos Trabalhando para Você?

Atualmente, está se tornando cada vez mais comum encontrar bilhetes e etiquetas com denúncias de trabalhadores chineses
ou de outros países da Ásia nas roupas e produtos.



Você já ouviu falar da cidade de Mangaratiba, no interior do Rio de Janeiro? Bem, esta é uma cidade típica do interior, com suas sorveterias, pastelarias e uma pracinha comum. Tudo muito habitual, até que semana passada, um jovem chinês fugiu de uma pastelaria da cidade e contou para a polícia que estava sendo escravizado há dois anos. O jovem foi traficado e recebido pelo dono da pastelaria que já o havia “comprado”. Em seguida, ele teve seu passaporte retido e começou a trabalhar sem salário e sem direito de sair do local até que um dia decidiu fugir. O pior é que este não é um caso isolado: segundo o jornal “O tempo” há pouco menos de um mês, 40 trabalhadores escravos foram resgatados de uma fábrica da Coca-Cola que estava sendo construída na cidade mineira de Itabirito. Os trabalhadores provenientes do Nordeste tiveram suas carteiras de trabalho apreendidas, não receberam o salário prometido, dormiam no chão de barro, sem direito à água potável e alimentação adequada, e ainda tiveram que tirar R$ 500,00 do próprio bolso.

A escravidão ainda não acabou e você pode estar ajudando a
estimulá-la. Saiba o que você pode fazer.

Isso é alarmante! É alarmante porque foi somente neste ano que foi aprovada a PEC do trabalho escravo no Brasil, que expropria, sem direito à indenização, imóveis rurais ou urbanos onde for constatado o uso de mão de obra escrava. Apesar disso, a lei não vale muita coisa, já que ainda precisa ser votado o que é de fato trabalho escravo, definição a qual é bastante disputada, principalmente pela bancada dos ruralistas, que tenta abrandar o conceito.
Ou seja, estamos muito longe de acabar com o trabalho escravo no Brasil e quiçá no mundo, já que as importações provindas da China e Bangladesh, principalmente, estão comumente associadas à escravidão.


Bem, você já pensou no porquê de algumas lojas de vestuário oferecerem roupas tão mais baratas do que outras? De fato, a indústria têxtil chinesa já é bem conhecida por empregar escravos, a qual não perde de longe para a indústria brasileira, que costuma escravizar bolivianos. Na realidade, recentemente, a CPI do trabalho escravo da Assembléia Legislativa de São Paulo estimou que existem aproximadamente 12 mil oficinas têxteis empregando mais de 200 mil bolivianos clandestinos, os quais vivem em condições análogas às da escravidão.

Ainda existe trabalho escravo e próximo de sua casa.

Mas, como podemos nos mobilizar para diminuir este índice tão cruel? Na verdade, existe o caminho mais burocrático e conhecido, o qual passa pela denúncia, quando se nota algum tipo de escravidão relacionada a alguma marca. Também é possível conhecer as empresas com nome sujo e boicotá-las. Por fim, é possível boicotar produtos campeões em trabalho escravo no Brasil.

1 – Denúncia

Um dos primeiros passos contra o trabalho escravo é a denúncia. 

Para denunciar, é possível ligar para a delegacia do trabalho de sua região. Também é possível direcionar a denúncia para o Ministério Público do Trabalho ou Ministério Público Federal.

Para denunciar, acesse aqui os links de ambos Ministérios:


2 – Conhecer as empresas da lista suja

O veganismo não só combate a escravidão animal, como humana, já que a pecuária representa o setor que mais
submete pessoas à escravidão. 

A lista suja de empresas que empregam trabalhadores com condições análogas às de escravo pode ser visualizada no portal do Ministério do trabalho, entretanto, geralmente elas concernem os nomes reais das empresas (e não o nome fantasia, que os clientes costumam conhecer), o que torna difícil a ação dos ativistas com relação ao fim do trabalho escravo. Todavia, através da lista, é possível saber que o estado que mais emprega trabalhadores escravos no Brasil é o Pará, com 27%, seguido de Minas Gerais, com 11%, Mato Grosso, com 9% e Goiás, com 8%. Por fim, mais interessante é a área na qual os escravos são geralmente encontrados: a pecuária é a área que mais submete pessoas a condições de escravos no Brasil, com 40%, seguida de produção florestal, com 25%, agricultura, com 16% e construção civil com 7% (Fonte: MTE). Ou seja, além da produção de carnes e derivados já ser extremamente anti-ética pelo fato de que escraviza e tortura animais não humanos, o consumo destes alimentos ainda prejudica animais humanos. O que fazer?

3 – Evite o consumo de produtos produzidos com escravidão

nfelizmente, ainda existem vários tipos de escravidão no mundo.

Algumas empresas, principalmente o ramo têxtil, possuem vinculações com o trabalho escravo chinês e portanto, é importante se informar sobre as marcas que recebem fornecimento de países com legislação trabalhista precária, como China, Bangladesh e Taiwan. Todavia, além do boicote, é preciso saber que alguns setores de produtos concentram mais escravos do que outros, sendo um dos principais a pecuária.
Portanto, se você já se sente sensibilizado pelos animais e suas condições terríveis de vida, você também pode dar uma guinada no seu veganismo, sabendo que está diminuindo o consumo de produtos provindos do trabalho escravo brasileiro. No caso da agricultura, prefira também alimentos orgânicos, pois estes provêm da agricultura familiar e costumam respeitar mais os direitos humanos e ambientais.

Saiba mais sobre como economizar em alimentos orgânicos: 5 dicas de como economizar em alimentos orgânicos

O que fazer quando o consumo é necessário?

Beneficie o artesanato, a cultura brasileira e os direitos humanos, tudo de
uma vez. 

Quando o boicote já chegou ao limite e o anti-consumismo já foi devidamente posto em prática, é preciso saber como consumir quando se é necessário. No caso da indústria têxtil, a dica é preferir comprar roupas usadas ou artesanais. Roupas artesanais são mais caras, mas pelo menos é garantido que o trabalhador não está sendo escravizado. Você também pode aprender a costurar ou levar em costureiras, beneficiando o trabalho destas grandes artesãs quase por desaparecer nas grandes cidades. Por fim, é possível procurar por projetos de comunidades de baixa renda, que ensinam artesanato, e usufruir destes produtos, o que não só beneficia a comunidade, como os direitos humanos.
Além da indústria têxtil, existe o setor de eletrônicos, o qual é um dos principais a empregar mão de obra escrava internacional. Neste caso, é possível tomar consciência e evitar trocar de modelo de celular todos os anos, assim como computadores e outros aparatos. Lembre-se, aliás, que este tipo de consumismo também gera um lixo altamente poluente.

Saiba mais informações sobre moda e ética aqui:

- Vestidos para viver: o lado não fútil da moda
- Anti-consumindo pela arte do crochê

Para ter uma estimativa (bem difusa) de quantas pessoas trabalham como escravas para você, acesse o site "Slavery Foot print" e faça o teste de consumoAcesse aqui (em inglês).

Paz!

Autora: Camila Gomes Victorino


 Pensando ao contrário








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2 comentários :

  1. Oi, Camila! Já sigo este caminho do anticonsumismo e privilégio da produção local e orgânica, além de artesanal. Porém me vejo com muita dificuldade para vestir meus filhos, que tem 4 e 6 anos dentro desta filosofia. Crianças perdem as roupas muito depressa e precisam de uma quantidade maior, já que acabam sujando e até rasgando com muita facilidade. E eu ainda tenho em dobro! Não encontro brechó com roupas infantis e acabo comprando em lojão barateiro (onde sabemos que a maioria é de produção chinesa), porque não tenho grana pra sustentar mais do que isso. Me ajuda a encontrar uma solução, por favor! Beijos

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    Respostas
    1. Olá Denise! Gratidão pelo comentário! Acho que o importante é fazer o que é possível dentro da sua realidade, mas pensando em soluções, eu tive a ideia de criar um grupo no Facebook de pais interessados em trocar roupas infantis. Isto já acontece muito com parentes, de um dar uma roupa para outro, porque as crianças crescem muito rápido, mas, como nem sempre é possível, talvez conhecer gente na internet facilite. Claro que vai ter que se concentrar na sua cidade, para que todo mundo possa se encontrar depois e bater um papo. É só uma ideia, claro! Pode ser que dê bem certo! :)

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