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A Mulher que Desenvolveu a Primeira Linguagem de Programação

Por: Camila Arvoredo

Retrato de Ada Lovelace, não só mãe, como pai das
linguagens de programação.
Fonte: NPR

Muitos consideram que Alan Turing foi o pai da computação, porém sabe-se que um século antes, Charles Babbage já desenvolvia seu modelo de máquina analítica, um computador mecânico que infelizmente não foi construído por ser muito caro e complicado para a época. É interessante que no século XX o computador seria reinventado, sem que a invenção de Babbage fosse conhecida.
Para todo computador há sempre um programa e junto à invenção de Charles Babbage, Ada Lovelace, uma das poucas a apoiar e a entender a invenção de Babbage, desenvolveu sozinha uma linguagem compatível com a máquina, a qual permitia desenvolver cálculos da sequência de Bernoulli. Atualmente, Ada foi reconhecida como tendo sido a primeira programadora da história da humanidade, mas eu poderia trocar a frase para o primeiro programador, pois ela não foi somente a primeira mulher, mas a primeira ser humano.
Faço esta observação porque vem a calhar saber que atualmente muitos homens se espantam quando o assunto é mulher programadora. Existe um preconceito. Algo que está introjetado dentro de nossa cultura e que afirma que mulheres são incapazes ou menos capazes de manejar um computador ou desenvolver programas, mas isso não se refere apenas às ciências da computação, mas igualmente a todas as ciências exatas.

Um presidente de Harvard dizendo idiotices:
quantos mais pensando idiotices no mundo?
Fonte: The Star
Durante uma conferência sobre minorias em ciência, Lawrence Summers, na época presidente da Universidade de Harvard, afirmou que a falta de mulheres com altos postos em ciências exatas poderia ser explicada pelas estatísticas de que poucas garotas conseguem notas superiores em testes de matemática, em relação a garotos. Esses dados o levaram a concluir que elas seriam menos capazes biologicamente do que eles neste quesito, ainda afirmando que genes da inteligência poderiam estar relacionados.
Enfim, se você está revoltado com estas afirmações grotescas, seria interessante dar uma olhada na carta resposta da Wiselli (Women inScience & Engineering Leadership Institute) para sentir o sabor da vingança contra a ignorância.
De qualquer maneira, um comentário como esse, provindo de alguém que supostamente deveria ser mais inteligente do que a média ou de alguém que no mínimo deveria se informar melhor sobre o assunto antes de falar publicamente, mostra que o preconceito está mais intrincado na sociedade do que iríamos imaginar.

Apesar disso, existem soluções para mudar este quadro e a primeira delas é mostrar com exemplos históricos como argumentos absurdos como este não possuem nenhum embasamento. Ada Lovelace é o exemplo claro de que mulheres são tão capazes como os homens de serem programadoras ou entenderem perfeitamente um algoritmo ou equação. Ela não só foi a mãe da programação, como também o fez em uma época que mulheres supostamente deveriam servir apenas a três tipos de coisas: cuidados do lar, do marido e cuidado dos filhos.

O grupo "Mulheres na tecnologia" durante encontro da LatinoWare,
que reúne programadores, engenheiros e outros profissionais
da tecnologia. Fonte: LatinoWare
Com todas as dificuldades, algumas gênios* aparecem e mostram para a humanidade que o erro está só nela, não na evolução, não na incompetência, mas apenas no sentimento de poder e de superioridade que uma parte do gênero masculino impôs a outra metade da humanidade, mesma humanidade, cujo sinônimo é a palavra homem.

* a palavra gênio não possui gênero feminino na língua portuguesa – façam o teste e notem que o corretor ortográfico do Word aparece em vermelho quando escrevemos gênia.

Visite a página da "Mulheres na tecnologia" para saber mais sobre iniciativas que impulsionam medidas para incentivar mulheres em ciências exatas.

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2 comentários :

  1. Olá Camila, bom texto.

    É interessante que no ramo de programação as mulheres existentes sempre tendem a áreas gerenciais, ou organizacionais. Tenho muitas amigas programadoras e em geral elas preferem estas áreas do que se especializar em um conhecimento específico. Só uma única colega que realmente preferiu focar no lado técnico, e cá entre nós ela destrói!

    Diferente do mano de Harvard - aí que medo - eu penso que essa diferença está mais relacionada aos interesses, e esses interesses estão relacionados com o que a sociedade determina ou determinou.

    Acho que de forma geral, como seu texto de mulheres instrumentistas, isso tem a ver com o estado social, seja na forma de preconceito, que muitas vezes está na cabeça das próprias mulheres, que não julgam bacana fazer uma curso de mecânica, por exemplo, ou pelo aspecto moral que acaba que criando uma forma de discriminação inconsciente.

    Enfim, o caminho é a luta, mas talvez a melhor luta não seja a luta em si, seja somente uma posição diferente.

    Digo, em vez de dizer "Somos capazes", talvez fosse o fato de fazer como no hipismo, pega um cavalo, prova que é bom e vá competir com seus iguais.

    Sendo assim, quem sabe um dia não teremos mulheres na Fórmula 1! =]

    Abraços,
    Roberto Marin

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    Respostas
    1. Legal Roberto! Acho que falta incentivo mesmo da sociedade e da própria educação que é dada às mulheres, mas quem sabe uma hora as próprias mulheres e os homen não começam a perceber isso, não é?! Até na Fórmula Indy tem a Bia Figueiredo! Ela nunca ganhou, mas já é um começo! Abs,

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