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Como Boicotar As Mineradoras e Diminuir Seu Impacto Ambiental

Proteste, proteste muito, mas enquanto isto, não alimente o monstro. Fonte

Mariana não foi o primeiro desastre ambiental e social que a mineração causou no Brasil e no mundo. Na realidade, isto vem acontecendo já há algum tempo em muitos países, principalmente países em desenvolvimento, cujas leis e corrupção não auxiliam muito no controle das corporações.
Há alguns meses atrás eu postei sobre um filme intitulado “A revolução dos cocos”. O documentário trata justamente sobre a mineração, seus impactos ambientais e como ela iria destruir toda uma cultura e todo um ecossitema na Indonésia (ilha de Bouganville), se não fosse a organização popular, que barrou a exploração mineral da ilha, levando a uma guerra sem precedentes (leia e veja odocumentário aqui).
Também escrevi outro post sobre a responsabilidade do consumidor quanto à drenagem de recursos minerais das mineradoras, afinal, o minério transforma-se em materiais, que são usados para produzir bens de consumo que nós consumimos depois. Este post fala especificamente sobre o consumismo de celulares e eletrônicos e, para saber mais, você pode acessar o post aqui.

Não é porque o Rio Doce morreu que eles vão parar por aí. Ainda existem muitos projetos de mineração em curso em MG. Fonte

Bem, depois de Mariana e deste luto imenso que beira todos os nossos corações, eu pensei em procurar alguma ação que eu pudesse fazer para evitar isto e lutar contra este assassinato em massa, que ocorre aos poucos. Claro que uma pessoa sozinha não faz nada, mas é melhor tentar do que ficar parado e só reclamar e, quem sabe, inspirar outros a tentarem também, até que um grande movimento impeça mais desastres ambientais e sociais.
Procurei e, em vão, eu achei pouquíssimos sites e textos sobre o assunto. Aparentemente, a única maneira de barrar as empresas e suas dragas irresponsáveis é fazer uma revolução dos cocos, mas uma ilha é bem diferente de um país tão imenso como o Brasil ou Índia (também muito explorada) e portanto, eu não acredito que esta seja uma solução.
Então, me veio a ideia de usar a força do anti-consumismo e do boicote. Como eu disse, uma andorinha só não faz verão, mas, com a divulgação de informações, sabemos que o boicote pode ter um impacto sem precedentes, como no caso do veganismo, que já afeta a economia de alguma forma, levando gigantes da pecuária a fazerem propagandas sobre bem-estar animal (as vendas estão caindo, felizmente).

Já pensou em dizer não? Fonte

Mas, como boicotar uma mineradora? Bem, primeiramente nós precisamos entender que toda empresa só existe porque ela consegue vender seu produto. Se não tem interesse no produto, ela fale. De fato, as mineradoras faturam muito no mundo porque outras empresas compram os minérios que elas pegam da terra (e poluem muito para fazer isto), para purificar e produzir metais, que serão usados posteriormente na fabricação de carros, panelas, latinhas, joias, relógios, eletrodomésticos, computadores etc.
Ora, alguns destes bens de consumo são mesmo muito importantes para a vida cotidiana, então é meio difícil pedir para as pessoas boicotarem e deixarem de comprar uma geladeira, um fogão, um carro etc. Claro que alguém pode me dizer: faça uma geladeira de barro, faça um fogão solar, vá morar em uma ecovila e isto é viável sim para algumas pessoas, mas não para a grande maioria e como queremos um movimento global, não vai funcionar pedir para as pessoas boicotarem eletrodomésticos, computadores etc.
Não tem solução então? Tem!
A solução, de fato, é a reciclagem de metais e isto porque todo metal pode ser reciclado, mas o problema é que ele não é totalmente reciclado, muito dele vai para o lixão e fica perdido, fazendo com que a demanda por mais metal continue alta e as mineradoras continuem sendo incentivadas por dinheiro a continuar explorando e destruindo cada vez mais.

Tem muito, mas muito metal para ser reciclado e o anti-consumismo também pode ajudar. Fonte

Ou seja, uma das soluções é reciclar o metal, mas isto não basta! É preciso lutar para que a reciclagem de metais seja feita de maneira séria e que existam postos de coleta em cada cidade (uma luta bem mais tranquila do que barrar mineradoras multinacionais super poderosas e com lobby no governo). Ademais, há outras soluções: a quantidade de metal que já foi retirado da terra é tanta que, se o consumismo não continuar a aumentar e as pessoas pararem de trocar tudo uma vez a cada segundo, todo o metal que precisaremos no futuro nem precisará vir da terra, mas somente das recicladoras. Ou seja, quanto menos você consome e cuida dos seus bens (lembre-se da obsolência programada dos produtos, veja mais aqui), maior a chance de diminuir a demanda por mineradoras, afinal você consome menos metal.
Resumindo: quer se sentir menos inútil ou impotente quando vê um desastre ambiental como o de Mariana? Recicle todo o seu metal, invista seu tempo para criar e incentivar cooperativas de reciclagem na sua cidade, consuma menos, reutilize ou conserte o que já tem. Este já é um começo que você pode fazer no dia a dia, mas e se você quiser ir além?

Indo além da esfera doméstica
Ir além é preciso. Na foto: protesto contra o crime contra o rio Doce. Fonte

Se continuarmos a consumir como estamos fazendo e jogando tudo fora e nem se importando com a procedência dos produtos e com o seu destino, uma hora vamos ter um problema tão sério que não ele não se relacionará apenas com o aumento da temperatura global. Assim, em breve ficaremos sem água e sem comida. Simples assim! E, claro, não comemos celulares, mas sem água potável ninguém vive.
É por isso que devemos sempre protestar contra pessoas, instituições, empresas e políticos e todos que pensam muito à curto prazo e somente em si, pois, apesar do boicote, a questão é muito urgente. Mas como ir além do boicote?

1 – Atue nas escolas próximas – você pode ver com os professores de biologia, ciências, geografia ou história de passar o filme “A revolução dos cocos” para o Ensino Médio. O curta do Steve Curtis também dá uma boa discussão sobre celulares e consumismo e é bem mais leve, podendo ser ministrado de 7º série a 3º colegial sme problemas.

2 – Se a escola não for possível, há festivais e eventos que atingem o público adulto. Festivais de veganismo e meio-ambiente são uma boa e é possível que os organizadores estejam abertos a este tipo de debate e deixem você rodar o filme e iniciar uma discussão sobre o tema de mineração.

3 – Se nada disso for possível, assista com seus amigos e família e discuta a questão.

4 – Como última possibilidade, você pode divulgar estes filmes nas redes sociais e em grupos de redes sociais também.

5 – Por fim, aposte sempre na reciclagem de metais e concerto de equipamentos eletrônicos e afins. Evite o consumo e economize também. Para tal, procure o conselheiro da sociedade civil de sua cidade, pois ela ou ele pode te aconselhar em como proceder junto à Prefeitura ou cooperativa de coletores.

Não vamos perder a esperança. Estamos plantando sementes. Este é o nosso papel. Se as pessoas vão querer regar a semente, esta é outra história, mas até aí, o livre arbítrio é de cada um.

Inspire-se assitindo "A revolução dos cocos"




Autora: Camila Gomes Victorino 




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