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O País Pobre Mais Feliz Do Mundo?

Por: Camila do Arco-Íris

Tudo indica que somente países ricos podem ter índices educacionais próximos de erradicar o analfabetismo. Todos pensam que países ricos são os únicos que podem suportar o maior índice de felicidade entre seus cidadãos e todos imaginam que somente países desenvolvidos preocupam-se com seu meio-ambiente e a saúde da população, afinal, sempre ligamos Produto Interno Bruto (PIB), poderio bélico e político à riqueza e tudo que não tem poder e dinheiro não poderia ser considerado rico. Mas o que é pobreza?

O Butão é um país pobre que preserva suas florestas e
possui um dos maiores índices de felicidade populacional.
. Fonte: AlohaTurismo
Viver de agricultura familiar e dentro de uma cultura de compartilhamento dos excessos; preservar um sistema educacional que não só ensine a ler e a escrever, mas também ensine sobre espiritualidade e meditação; cuidar do meio-ambiente e estimular a agricultura orgânica; todos são pontos que podem aumentar e muito a felicidade de uma população, mas em nada as devisas de um país, deixando-o pobre para os olhos ocidentais, mas rico para aqueles que buscam uma felicidade que vai além do materialismo.

O Butão prioriza a agricultura familiar, orgânica e o bem-estar populacional.
Fonte: UndergroundHealth
Mas existe um país assim, em que a moral consumista e o individualismo exacerbado quase não existe? Em que praticamente toda a sua agricultura é orgânica, tendo incentivo governamental? Em que todas as suas florestas sejam protegidas por lei e tenham apoio da população? Sim! Este país é um dos mais pobres do mundo e é o Butão! Um país entre China e Índia, de cultura budista.
O Butão recentemente entrou em destaque nas mídias mais alternativas por ser o primeiro país no mundo a incentivar uma agricultura sem venenos e transgênicos e certificadamente orgânica, ação que nenhum país do mundo ainda realizou. Apesar disso, o Butão já é um país que é deveras estranho para os nossos olhos, pois sendo tão pobre, imaginamos a caótica combinação de violência contra a mulher, mortalidade infantil, mendicância e doenças que países africanos, latino-americanos e asiáticos costumam apresentar, mas este não é o caso! 

O Butão é o primeiro país a sediar uma conferência
discutindo o papel das monjas no budismo.
Fonte: ChineseBudhistEncyclopedia
Interessantemente, o budismo é considerado direito de todos e portanto, toda criança, seja menina ou menino tem o direito de aprender sobre os ensinamentos e a ler sobre ele. Mais, o Butão é um dos poucos países budistas a incentivar a promoção de mosteiros femininos e ano passado sediou a primeira conferência de monjas budistas da história mundial! Aliás, é super interessante saber que no Butão a poligamia é prática comum, mas diferentemente da maioria dos países, as mulheres também têm direito a ter mais de um marido.
Por fim, não posso deixar de citar o fato de que o Butão possui um dos maiores índices de felicidade populacional do mundo e costuma fazer inquéritos corriqueiros através da “Comissão de Felicidade Geral Nacional”, que considera índice de estresse, aumento ou diminuição de oportunidade de participar em eventos culturais e de aprender sobre tradições; encorajamento de atividade física; aumento ou decréscimo da segurança econômica da população e bem-estar material.

Nossa sociedade inverteu os valores de felicidade ao apontar o dinheiro
como única saída para a realização. Fonte: KdFrases
É neste momento que começamos a refletir sobre nossos valores de felicidade! Valores que não mais são somente ocidentais, mas que hoje fazem parte de culturas orientais, como Japão, Índia e China.
Na realidade, a maioria das pessoas pensa que ser feliz é ter bens materiais, mas não somente o essencial, pois estes, acredito que são evidentemente necessários! Água, alimentos saudáveis, moradia, educação e meio-ambiente limpo são tudo que precisamos, mas nossa sociedade não os valoriza! Ao invés de lutarmos pelos bens essenciais, somos massacrados para aprendermos que ter é ser! 

Tóquio, uma das cidades mais desenvolvidas do mundo, não preservou
seu ambiente e possui uma das populações mais deprimidas do planeta.
Fonte: Keroro
Roupas de marca, carros, casas luxuosas e a exploração sexual da mulher, tornando-a um prêmio, fazem parte do nosso cotidiano e nem percebemos que o que desejamos não nos fará felizes! Queremos “Smartfones” para ter amigos, mas quando saímos com eles, olhamos para as boas novas do Facebook; queremos amor, mas quando vemos que alguém precisa de ajuda, escondemos nosso “ouro”; lutamos para ter saúde através do direito ao remédio, enquanto que nos alimentamos de veneno e de animais, que todos sabem que sofrem. Sim, nosso ideal de felicidade foi manipulado desde pequenos pelos lanches felizes, pelas bonecas esqueléticas e pelas arminhas de guerra que matam estranhas pessoas de países distantes! Vamos caindo no conto de fadas do materialismo e quando vemos, não queremos água pura, mas coca-cola; não queremos moradia para todos, mas uma casa com vinte quartos; não queremos alimentação sem veneno, mas congelados e pré-cozidos!

As riquezas de uma vida simples se escondem no
cotidiano e não no que se compra. Fonte:
UmaCasaParaChamarDeMinha
O Butão, claro, é um país com muitas contradições! Vivendo sob regime monárquico parlamentar, seu rei, apesar de simples, parece apreciar uma vida mais confortável que seus súditos! Além disso, o Butão expulsou grande parte de sua população de etnia nepalesa, a qual vive como refugiada no Nepal. Apesar disso, alguns valores deste país pode nos fazer refletir sobre o que é riqueza. Se mudarmos nossa visão e passarmos a pensar ao contrário, pobreza vira riqueza e riqueza vira doença! Está na hora de querermos um mundo que seja assim, menos material, mais amável! De fato, o que afirmo é que precisamos nos conscientizar de que este excesso não nos enriquece, mas nos empobrece, além, é claro, de destruir o mundo inteiro!
Sejamos butaneses de espírito e passemos a construir um mundo em que todos têm direito ao básico e com o básico possamos mover montanhas, para desvendar os mistérios do universo e o nosso significado nesta incrível realidade.


Paz!

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2 comentários :

  1. O autor da matéria parece achar sem importância a expulsão da minoria nepalesa.

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    1. Não acho sem importância, foi até por isso que citei, pois eu poderia ter omitido e dito que o país só tem coisas boas. Mas, sim, é verdade que eu dei um enfoque minoritário ao tema, até porque eu quis me focar nos pontos positivos do país. Todo país tem um lado obscuro em sua história. Atualmente, a Alemanha é um dos países de referência em ecologia e veganismo, mas ela também foi o palco dos horrores da Segunda Guerra Mundial. Não é por isso que vou ignorar o fato dela ter construído coisas boas depois. É assim que eu também vejo o Butão hoje.

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