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Bio Arquitetura: As Incríveis Moradias Sustentáveis

Por: Camila do Arco-Íris

A bioarquitetura promove não só moradias sustentáveis, como uma
nova concepção do construir, em que a cooperação é essencial.
Fonte: Morrostock
Abobe, telhado verde, banheiro seco são algumas das muitas ideias a que se refere a bioarquitetura, um tipo de arquitetura voltado para a realização de uma moradia sustentável, que não cause danos ao meio-ambiente e à saúde do ser humano.
A arquitetura geralmente é algo distante da maioria das pessoas de nosso país, afinal é bastante comum que a maior parte da população more de aluguel ou não tenha um lar para viver. Aqueles que conseguem construir a própria casa, muitas vezes beneficiam-se apenas de um pedreiro, quando não são os próprios donos quem fazem a casa. Assim, contratar um arquiteto ainda é algo muito elitizado, o que, por outro lado, não inviabiliza as técnicas de bioarquitetura, pois estas são geralmente baratas.

O telhado verde funciona como um isolante térmico e também permite
criar hortas e jardins, dependendo da inclinação do telhado.
Fonte: Jardinaria
A bioarquitetura utiliza conceitos permaculturais, em que se prioriza o equilíbrio do ser com o meio (para saber mais sobre permacultura clique aqui para ver texto do blog) e geralmente seus cursos são oferecidos por redes de permacultura, sendo algumas de suas técnicas tão simples que podem ser desenvolvidas pelo próprio morador para adaptar sua casa.
Uma dessas técnicas é o teto verde ou telhado verde, que consiste em criar hortas ou jardins no telhado da moradia, os quais, ao se desenvolverem, resfriam o meio interno da casa no verão e isolam o meio interno no inverno, economizando energia de ar condicionado e ventilador ou mesmo de aquecimento, nas casas que o possuem. Além disso, o teto verde,quando feito em laje, pode propiciar um lugar de lazer a mais na casa ou, no caso de produção de horta, alimentos orgânicos, que aumentarão a auto-suficiência e saúde dos moradores.

Típico banheiro seco em sítio. Fonte: Sete Lombas
Para fazer um teto verde é preciso isolar o teto, pois o local precisará ser irrigado ou acumulará água da chuva em sua terra. Outros materiais são utilizados para drenar a água ou evitar que ela se perca, caindo direto do telhado. Para aprender a fazer um telhado verde é preciso fazer um curso, os quais são oferecidos em várias instituições de permacultura, porém existem cursos virtuais no Youtube, que podem ser uma mão na roda para quem não tem dinheiro para pagar, ou tempo para dispender nos cursos.
Além da técnica do teto, existe o famoso banheiro seco. Quando se imagina um banheiro em que não vai água, fica a dúvida sobre o mau cheiro. Apesar disso, saiba que o banheiro seco não deixa odores, pois são usadas técnicas para evitar sua produção. Geralmente, estes banheiros são construídos para fora da morada. Faz-se um galpão e no segundo andar posiciona-se o vaso sanitário. Ao ir ao banheiro, adiciona-se serragem com flores secas ou não, que evitam que os odores voltem. Os dejetos caem em uma caixa preta, localizada no térreo, e geralmente posicionada na direção dos raios solares. Neste local, as fezes e urina serão processadas rapidamente, pois o calor do Sol aumenta a velocidade de decomposição. Aqui, é interessante, pois tudo é aproveitado: é possível construir um biodigestor junto à caixa, para que ele use os gases da decomposição para produzir energia. O adubo que sobra pode ser utilizado em jardins e pomares, mas nunca em hortas por razões óbvias.

Em centros urbanos, outras técnicas podem aumentar a
sustentabilidade do lar e diminuir gastos com água.
Fonte: Terravip
Fica a dúvida sobre a viabilidade desta técnica em centros urbanos, onde a maioria das moradias já foi construída nos padrões não sustentáveis. Neste caso, não é possível fazer um banheiro seco, mas existem técnicas que diminuem o desperdício da água. Em uma destas técnicas, pode-se ligar um encanamento do chuveiro com a caixa de descarga, usando os devidos procedimentos para evitar que ela encha demais. Outro modelo usa água da chuva (quando esta é captada por meio de calhas) para encher o vaso, evitando o uso de água potável para esta função. Além destas técnicas, existe uma que é ainda mais simples e que utilizo em casa: colocar uma garrafa de um litro cheia de água, dentro da caixa. O espaço preenchido pela garrafa evitará que o mesmo volume seja completado com água potável durante o preenchimento da caixa. Eu fiz o teste e já há alguns meses vejo que funciona perfeitamente, mesmo nos casos em que nos parece ser necessária muita água. 

Casa construída com adobe. Fonte: Indulgy
A cada descarga, economiza-se um litro. É uma técnica simples e barata e que pode ser usada em moradias alugadas ou com poucos recursos (para saber mais sobre como economizar água clique aqui para ver texto do blog).
A última técnica de bioarquitetura que vamos falar é o adobe. Neste caso, é mais difícil adaptar uma moradia já pronta, pois é com o adobe que se constrói a casa. Apesar disso, a construção de moradias de sítio ou outras já pode ser pensada com ele. Nesta técnica utiliza-se sacos de plástico cilíndricos, os quais são preenchidos pela própria terra do local, palha e água (o adobe). A terra pode ser aquela retirada para aplainar o próprio terreno ou para outras necessidades da construção. Quando preenchidos, os sacos são são colocados um em cima do outro para formar a estrutura básica da moradia. Barro ou outros materiais são utilizados para preencher os vãos e montar a estrutura da parede. Quando tudo está seco, é possível pintar a casa. Claramente que fiz um resumo do processo. Há muitos outros detalhes e deixo um vídeo abaixo, explicando a construção de uma casa com adobe. Além do material sustentável, a casa é a prova de desastres e tem temperatura estável, pela característica isolante do material. Construída com curvas, a maioria das casas têm a área interna aumentada e aumentam a possibilidade de designs diferenciados.

Várias técnicas de bioarquitetura permitem reutilizar materiais
que iriam para o lixo, como as garrafas de vidro.
Fonte: Planeta sustentável
A bioarquitetura não possui apenas estas técnicas! É possível desenvolver uma moradia posicionada com o nascer e pôr do Sol, evitando gastos inúteis com iluminação. É possível desenvolver um sistema de captação de água da chuva ou um sistema de aquecimento de água solar. Enfim, são muitas as possibilidades de criação de uma casa não só ecológica, mas que aumente a auto-suficiência do morador para com o meio externo. A criação de hortas, pomares, uso de água da chuva e outros evita a compra de serviços ou de alimentos! A economia é enorme e, portanto é importante colocar na ponta do lápis o quanto vai valer a pena pagar um pouco mais caro no desenvolvimento de uma morada sustentável do que pagar aos poucos por mais água, mais eletricidade, menos qualidade de vida, pelo uso excessivo do meio-ambiente, e mais remédios, pela diminuição da qualidade de vida.
Para saber mais sobre cursos sobre bioarquitetura, acesse sites de redes de permacultura. Abaixo, segue lista de centros de permacultura em cada região do Brasil. Lembrando que para realizar estes cursos, não é preciso ser arquiteto.

Redes de permacultura por região do país:
NORTE: Instituto de Permacultura da Amazônia (sem site): (92)3249-0459
NORDESTE: Instituto de Permacultura da Bahia - http://www.permacultura-bahia.org.br/interna.php?cod=7 / IPC (Ceará) - http://www.permaculturaceara.org/
CENTRO-OESTE: Ecocentro IPEC - http://www.ecocentro.org/
SUDESTE: IPEMA - http://www.ipemabrasil.org.br/
SUL: IPEP - http://www.ipep.org.br/index.htm / Casa Colmeia - http://casacolmeia.wordpress.com/

Construção de casa de adobe. Veja o vídeo abaixo:

Sustainable Unit - Super Adobe House from Joao Amorim on Vimeo.

Paz!


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