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A Polêmica Das Sacolinhas e o Mito do Lixo

Por: Camila Arvoredo

Medida de conscientização? De qualquer maneira os sacos de lixo
continuam a substituir as sacolimhas. Fonte: Ciência e consciência

Atualmente, em São Paulo vivemos uma briga entre os consumidores e as redes de supermercado. O sindicato das redes de supermercados, alegando consciência ecológica, decidiu acabar com a distribuição gratuita de sacolinhas plásticas, o que agradou muitos ativistas, mas também desagradou outros.
Na Europa, é muito comum o supermercado não oferecer sacolinhas e em alguns países, como na Alemanha, elas nem são oferecidas. Na França, a população já está bem habituada a carregar sacolas retornáveis ou carrinhos de feira. Faz parte da cultura e não é algo que se veja com estranhamento.

Lixeiras francesas disponibilizadas por residência.
Fonte: Bonjour Paris
Isso poderia ser um ótimo argumento para apoiar o fim das sacolinhas, mas não se leva em consideração que esses países possuem ótimos e bem organizados sistemas de coleta seletiva de lixo. Na França, o governo disponibiliza três lixeiras para cada residência. Uma lixeira serve para a captação de lixo orgânico, outra de recicláveis e uma outra para vidro. Além disso, há diversos pontos de reciclagem governamentais espalhados pela cidade, onde se pode levar excesso de lixo.
No Brasil, a história é outra. A coleta seletiva é praticamente realizada individualmente por pessoas que se disponibilizam a separar e a levar seu lixo para cooperativas próximas. Isso dá muito trabalho e eu sei porque realizava este tipo de tarefa. Além disso, as sacolinhas são reutilizadas como sacos de lixo, já que não há lixeiras especiais para adequação de recicláveis e é claro que se as sacolinhas são utilizadas como substitutos de sacos de lixo, retirando-as de circulação, os sacos de lixo, agora comprados, continuarão a ser usados e a quantidade de plástico jogada fora será a mesma para os sacos de lixo.

Atualmente muitas empresas aproveitam-se do termo ecológico
para vender produtos, sem que de fato beneficiem o
meio-ambiente. Fonte: Ecobag Sacolas Ecológicas
É por isso a polêmica! Muitos acreditam que a retirada das sacolinhas do mercado foi apenas uma jogada de marketing com selo ecológico, visando antes de tudo o lucro dos supermercados, do que o bem-estar da população e do meio-ambiente.
Eu sou a favor de não ter mais sacolinhas, mas para tal, políticas de conscientização de reciclagem devem ser realizadas, mais postos de coleta seletiva devem ser desenvolvidos, políticas de diminuição de embalagens ou coleta de embalagens extras devem ser realizadas pelos supermercados. Enfim, acabar somente com as sacolinhas é uma solução extremamente pontual e não resolve de maneira nenhuma o problema do lixo; aliás, um bom exemplo é a quantidade absurda de sacolinhas retornáveis que as pessoas passaram a comprar e depois jogar fora! Isso mostra não só um problema de falta de consciência por parte da população, como também a falta de iniciativas de conscientização pelo próprio sindicato dos supermercados que se auto-afirma tão ecológico.
Todavia, apesar do argumentos, não vamos esperar o mundo mudar, para agora sim resolvermos apoiar o fim do uso das sacolinhas. Se o problema são os sacos de lixo, iniciativas individuais podem solucioná-lo, trocando os sacos, por caixas vazias, que são facilmente disponibilizadas em supermercados.

A Reciclagem é somente uma solução superfícial para um
problema maior e esconde o problema do consumismo
exarcerbado. Fonte: Uol Notícias
Mas, e o problema maior da geração de lixo? A maioria das pessoas logo pensa em reciclagem, mas a reciclagem é um processo finito e nem todo tipo de material pode ser reciclado. Isopor, por exemplo e etiquetas ou misturas de papel com metal ou plástico ainda não podem ser reciclados, ou seja, se acumulam no meio-ambiente. Para as outras substâncias (exceto vidro e metais), a reciclagem é finita e, portanto uma hora ou outra, ela se acumulará na natureza.
Sendo assim, reciclagem faz apenas parte da solução. Idealmente, deve-se apostar em produtos sem embalagens, ou seja, produtos frescos ou a granel e na sua maioria não industrializados. Se isso não é possível, pode-se optar pela compra de produtos com embalagens oxi ou biodegradáveis. Embalagens de papel são biodegradáveis e existem muitos plásticos bio e degradáveis pelo oxigênio. Se mesmo assim o produto contiver plástico não biodegradável, deve-se optar por produtos com menos embalagem e se ainda não for possível, deixar a embalagem no supermercado ou pressionar via e-mail a empresa que produz o produto. Somente o que sobrar deve ser colocado na reciclagem, sempre lembrando que algumas embalagens podem ser reutilizadas como copos, potes, porta canetas e até para realizar artesanato, se houver tempo.
Mas e o lixo orgânico? Esse é o menor problema de todos, pois ele é totalmente biodegradável.

O lixo orgânico não é de fato lixo. É apenas
descartado pela falta de planejamento e
conscientização. O uso de composterias
resolve o problema. Fonte: Nutrição em foco
O lixo orgânico são as sobras de alimento que não podem ser comidas. Ele é o responsável pelo mau cheiro do lixo e se separado do material reciclado, permite o acúmulo de recicláveis na residência sem o mau cheiro. O orgânico separado pode ser depositado em uma composteira, que permite a transformação desse lixo em adubo. Composteiras podem ser feitas em sua residência, mas se você não tem um quintal, pode-se comprar uma para apartamentos. Um detalhe: composteiras não liberam mau cheiro.
Agora, se reduzirmos totalmente o uso de embalagens e transformarmos os restos de comida em adubo, quanto de lixo teremos que disponibilizar para o lixeiro? Praticamente zero. De fato, o lixo não é um problema complicado no sentido de que não existem soluções. Ele se torna complicado simplesmente pela falta de conscientização das pessoas. Afinal, são as pessoas que pressionam aqueles grupos que somente visam o imediato. 

Muitos países de "Primeiro Mundo", por consumirem excessi-
vamente, exportam seu lixo para países pobres. Na foto,
menino de Gana, coleta lixo europeu exportado em um lixão.
Fonte: Jornal nh
Pelo lucro, companhias produzem embalagens cada vez mais nocivas para o meio-ambiente e imagino até que se um dia não houver mais espaço, eles poderão, com seu lucro abundante, colonizar um outro planeta e deixar as conseqüências para trás, afinal Europa e EUA já exportam seu lixo para a África.
Viagem à parte, somos nós que devemos pressionar e mudar nosso comportamento. Isso é política: mudar pelas nossas ações no cotidiano e fazer pressão aos órgãos superiores.




Segue abaixo um guia de como fazer uma composteira e outro atalho de um fornecedor de composteiras para apartamento. Mais para frente farei um post ensinando a reutilizar materiais.


Até breve e a mudança está em nós!


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Um comentário :

  1. Òtimo texto Camilinha! Realmente o buraco é muito mais embaixo do que não pegar sacolinha no mercado. E a separação do lixo em casa é apenas uma questão mecânica, que se incorpora no dia-dia facilmente. Fazemos compostagem em casa agora que tem quintal grande, mas eu já fiz durante muito tempo quando morava em apartamento. Basta uma caixa de feira, cercada de papelão ou plástico e um pouco de terra ou serragem para ir misturando aos restos orgânicos. E não dá cheiro mesmo. Só não é recomendado colocar carne, principalmente nestas pequenas. Molha de vez em quando, porque para decompor precisa de umidade!

    Veja este texto: O cinismo da reciclagem (http://www.semebrusque.com.br/bibliovirtual/material/ea/ea_pdf0005.pdf)

    Grande beijo!
    Dani

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