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Eco-Ativismo contra o monstro menstrual: juntando ecologia, mulheres e liberdade

Fonte: ©juliaro 2011

A minha intenção aqui não é fazer um texto sobre o ecofeminismo, mas sobre algo que está se tornando cada vez mais comum: a reflexão sobre como a menstruação afeta o meio-ambiente. Todas as mulheres ou vão usar ou já usaram ou usam absorventes e todos os meses, milhões de mulheres vão ao supermercado, compram e financiam toda uma indústria voltada para elas.  Antigamente, os famosos absorventes eram conhecidos como “Modess”, pois não existiam muitas marcas no mercado. Com o tempo, surgiram novos modelos, com embalagens elegantes, coloridas e até algumas desenhadas. Depois , surgiram os protetores de calcinha, os absorventes noturnos, os absorventes para adolescentes, os com cheiro, os internos, os sabonetes e desodorantes íntimos e até caixinhas especiais para guardá-los e hoje, ir ao mercado todos os meses para comprar esses produtos nos parece muito familiar, mas esquecemos que todos os anos bilhões de absorventes e protetores são descartados no lixo e que eles não são recicláveis, ficando parados por séculos nos lixões e aterros. 

Nenhuma alternativa convencional vai salvar a sua saúde e o planeta. Fonte


Vamos aos números então! Durante todo o ciclo reprodutivo de uma mulher, ela joga cerca de 10 a 15 mil absorventes no lixo, cada um demorando 100 anos para degradar (fonte: Ambiente Brasil). Além do problema ecológico e das montanhas de lixo geradas, os absorventes atuais, apesar de cheios de borboletas e arco-íris nas embalagens, contêm uma série de substâncias nocivas para a saúde humana. Uma delas, por exemplo, é o asbesto, que aumenta o poder de absorção do absorvente. Ele, junto com outras substâncias absorventes, como o poliéster, acetil celulose, colágeno, carboximetil celulose, álcool polivinil e poliuretano, vêm sendo relacionados à síndrome do choque tóxico, que aflige mulheres em todo mundo. De fato, produzida pela bactéria Staphylococus, a qual é simbiótica com o organismo, ela pode levar à morte, devido à produção de toxinas letais em excesso pelo crescimento incontrolável desta bactéria. Como isto acontece: por falta de umidade e modificação do meio interno vaginal,  dado pelos absorventes internos, o microrganismo se reproduz descontroladamente  (fonte: The Ecologist).
uma questão: quando você joga seu absorvente extenro ou interno "fora", onde você pensa exatamente que ele é "jogado"? Fonte

Tem mais! Absorventes com odor podem causar alergias em mulheres com pele mais sensível e protetores de calcinha, bem como absorventes externos, abafam a região vaginal e retiram a umidade protetora natural, podendo gerar doenças, principalmente infecções fúngicas, como a candidíase. Atualmente, devido à conscientização por parte das mulheres sobre os perigos dos absorventes à saúde e seu enorme impacto ambiental, mulheres desenvolveram empresas e tecnologias novas que visam resolver ambos os problemas e elas são acessíveis e podem ajudar muitas mulheres, inclusive as mais pobres.

Absorventes ecológicos e saudáveis


Absorventes reutilizáveis de algodão são baratos e saudáveis. Fonte

Você sabia que os absorventes reutilizáveis estão de volta e entrando em moda? Mas como assim? Imagino que a maioria das pessoas que ouvem isto ficam espantados e com nojo ou achem que estamos voltando aos tempos das trevas, quando as mulheres usavam panos, não podiam sair, ficavam de cama menstruadas etc. Na realidade, é bem o contrário, já que os absorventes reutilizáveis atuais são adaptados ao corpo, à calcinha, anti-alérgicos e muito mais!

Menstruar não é algo a ser escondido, mas reverenciado. Fonte

Mas, antes de começar a falar deles com mais cuidado, é preciso escrever sobre algo ainda mais sério: a ideia de que o sangue menstrual é sujo e nojento. Quando alguém se machuca e sai sangue, algumas pessoas o lambem; outras mostram para o colega do lado e outros simplesmente limpam o ferimento. Correto? Ninguém, em hipótese alguma, parece ter nojo desse sangue e todos que já se feriram sabem que ele não cheira mal e é perfeitamente natural. E se formos pensar bem, o sangue menstrual não é diferente deste sangue, pois tem a mesma composição química, mas por que sentimos nojo então? Porque ele sai pela vagina e a vagina é vista como suja e impura por muitos, ora por fatores religiosos que oprimem as mulheres, ora por superstições, ora porque as próprias mulheres desconhecem seu corpo e mal sabem que o xixi sai em um local separado e associam vagina com urina.

Conhecer-se é preciso! Fonte

Assim, antes de mais nada, é preciso refletir e começar a ver o sangue menstrual como ele é: um símbolo do poder reprodutivo de uma mulher, um estado de espírito, um sinal par auma pausa (leia mais em: "O lado místico da menstruação"). Evidentemente, que um absorvente comum leva ao mau cheiro, pois o sangue oxida e fica cheio de bactérias, que ficam alojadas no absorvente por muito tempo. Já o sangue novo apenas tem cheiro de sangue e os novos copos menstruais estão aí para facilitar a vida da mulher neste sentido.

Agora, voltando agora aos absorventes reutilizáveis e sabendo que não há porquê ter nojo desse sangue, vamos aos novos paninhos! Primeiramente estes absorventes são paninhos que se acoplam em uma espécie de calcinha impermeável, que se fixa na calcinha original. Eles são feitos de algodão e não apresentam nenhuma substância tóxica ou oriunda do petróleo. Importante é que devem ser lavados a cada troca, colocados para secar e passados, mas se não tiver tempo, a dica é deixar em um balde com água e sabão neutro (sabão de coco vegano), para que de noite se possa lavá-lo. Depois é só usar de novo! Claro que é preciso ter vários, né! Afinal, não vai secar de um dia para outro, então a ideia é ter uns 12 deles, para um ciclo de sete dias, por exmeplo, ou menos para ciclos mais curtos.

Por fim, se vocês ainda quiserem ser mais ecológicos, a água com o sangue pode ser usada como adubo e abram suas mentes para este novo mundo, pois sem levar em conta os preconceitos do passado, o sangue não é sujo, como j[a falamos e é uma substância rica em ferro e outros minerais. Sei que é preciso trabalhar muito com a ideia de que a menstruação não é suja, mas se eu consegui, você consegue!

Fonte

Mas e se não gostaram da ideia de usar paninhos? Bem, existem outras alternativas! Atualmente, existe uma série de marcas no mercado, voltadas para a divulgação dos copos menstruais. Os copos menstruais são feitos de silicone medicinal e, portanto anti-alérgicos. Eles seriam um substituto ao absorvente interno, só que não causam síndrome do choque tóxico e são reutilizáveis por mais de dez anos. Assim, só imagine a quantidade de lixo a menos que você evitará em dez anos de vida? É muito lixo que não é produzido e mais saúde, claro!

Atualmente, os copos menstruais são amplamente utilizados na Europa e EUA e lá podem ser encontrados em farmácias. Eles  podem ser utilizados por meninas virgens, desde que elas não se preocupem com o hímen, e devem ser retirados uma vez ao dia ou menos dependendo do fluxo. Quando retirados, devem apenas ser lavados com água corrente e fervidos no final do ciclo, conforme instrução do fabricante. Interessante notar que eles não são absorventes, mas coletores. Coletam o sangue e mantêm o Ph e umidade vaginais normais, prevenindo doenças, que a secura causada pelos absorventes comuns geraria. Por fim, ele ajuda a mulher a conhecer o seu corpo e a perder todas as amarras que a sociedade machista e conservadora impôs, afinal, é preciso se tocar e observar para aprender a colcoar o copinho.

sangue menstrual: tão quimicamente idêntico aquele que corre nas suas veias! Fonte

Eu acredito que a adoção destas alternativas nos leve a uma grande ação de anti-consumismo. Ela nos faz economizar dinheiro, auxilia o meio-ambiente e nos deixa livres da seção borboleta dos supermercados. Mais, essas alternativas nos previnem de doenças ginecológicas e nos auxiliam a conhecer melhor o nosso ciclo e nosso corpo. Abram seus pensamentos para um novo mundo! Mudar o mundo requer reflexões e mudanças que, para nós, seriam consideradas impossíveis. Se aprendemos a vida inteira que a vagina é suja, que a menstruação é algo vergonhoso e indigno, não se deixem levar. A mudança está em nós e somente com esforço e muita força de vontade conseguiremos ir além de nós mesmos. Aliás, não escrevi este texto apenas para mulheres. Espero que os homens também passem a ver a vida com mais naturalidade e com menos vergonha do que é o corpo deles e o da mulher.

Mais informações:

BROWSKI, A. Are American Women turning to reusable and greener menstrual products due to health and environmental pollution concerns? Digital Media Library Repository. Disponível em: https://ritdml.rit.edu/handle/1850/15124. Acesso em: 28/08/2012.

WORCESTER, A. Menstruation Activism: Is the Personnal Still Political? Sex Roles, 2011. Disponível em: http://www.springerlink.com/content/v7683t354pugn210/. Acesso em: 28/08/2012.



Autora: Camila Gomes Victorino 


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