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Vivendo sem dinheiro no meio da cidade - Conheça a história desta incrível ativista

Imagine um mundo sem posses. Eu me pergunto se você poderia viver nele - John Lennon. Fonte


Heidemarie é uma alemã que sentiu-se bastante incomodada de viver uma vida de abundância no meio da classe média. Aos 53 anos, já com os filhos criados, decidiu vender a casa, cancelar as contas nos bancos e dividir a poupança com os filhos. Até os móveis, Heidemarie os doou a instituições de caridade.
Sem nada, ela não teve escolha a não ser pedir abrigo a seus amigos, o que não era feito sem antes oferecer seus serviços, como limpar a casa, regar as plantas, levar o cachorro para passear ou ir ao supermercado. 

Foi assim que a professora do sistema público de ensino alemão deixou para trás uma vida de abundância e passou a viver sem nenhum dinheiro, pois todo o trabalho que realizava era trocado por refeições ou abrigo.

Para viver sem dinheiro na cidade, Heidemarie troca serviços por bens necessários,
como abrigo, alimentos e vestimenta. Na foto "Que tal começar a viver sem dinheiro?"  Fonte

Seu exemplo passou a repercutir na Europa e muitas pessoas passaram a repensar seu modo de vida. Se mesmo aqui, na América Latina, ainda nos confrontamos com o excesso que nosso consumismo nos leva, imagine viver em um país de Primeiro Mundo, onde tudo é barato e de boa qualidade. Sabe-se, por exemplo, que atualmente, países desenvolvidos estão com o sério problema de não conseguirem dar conta da sua própria produção de lixo, tamanha ela é. Muitas vezes estes países exportam seus dejetos para nações mais pobres, como na África. Assim, fica evidente que o consumismo está indo longe demais e mesmo aqui, nós já começamos a nos incomodar com o excesso de lixo que produzimos. Afinal, não adianta reciclar, pois mesmo o material reciclado tem um tempo de vida. Fora isso, existe o desejo que temos em mudar de modelos de televisão, celulares, computadores, roupas, móveis e, para os mais abastados, até de carro. Todo o material velho vai para o lixo, material este cheio de metais pesados. 

A ação de Heidemarie nos leva a refletir o que estamos nos tornando e como estamos educando as novas gerações.

Mas, além deste consumismo que gera lixo, temos todo o sentido de nossas vidas modificado! Imagine trabalhar a semana toda e, no fim de semana, sair para se divertir em um centro de consumo, como shoppings centers. Nas grandes cidades é isto que acontece! As pessoas trabalham para consumir, um ciclo que desencadeia a transformação do indivíduo em um ser vazio, que só consegue ver sentido na vida pelo consumismo.
É uma pena que tenhamos nos transformado nisso e apesar das tentativas de impedirem que nós saiamos deste ciclo, ainda há tempo de perceber, parar para respirar e começar a modificar nossos hábitos! A mudança começa por nós mesmos, pela nossa consciência, disse Heidemarie em uma entrevista. Ela, percebendo o que fizera com a sua vida, decidiu mudar! Ela disse ter passado por momentos difíceis, em que a lei de trocar serviços por abrigo, alimentação e vestimentas, nem sempre funcionava. Atualmente ela continua a viver assim, mas já teve que dormir até no centro cultural alemão.

Criticas contra Heidemarie aparecem em todo lugar. Até que ponto são verdadeiras ou fruto do conservadorismo que
não quer abandonar seus hábitos danosos? Na fot, pessoas de uma comunidade sem dinheiro.

Alguns criticam Heidemarie, afirmando que ela é como um parasita. Isso porque, apesar dela não viver de dinheiro, ela depende daqueles que vivem dele para sobreviver. Outros afirmam que ela continua sendo beneficiaria de um país de primeiro mundo, pois seu exemplo não poderia ser seguido em países de viva violência, principalmente contra a mulher, afinal dormir em espaço púbico não é totalmente seguro na maioria dos países. De fato, ela afirma que seu principal objetivo não é fazer com que todas as pessoas vivam como ela, pelo menos agora. Seu objetivo principal foi dar o exemplo e fazer as pessoas refletirem sobre o consumismo e o desejo por inutilidades que vive nossa sociedade.

Por que não parar para pensar sobre o que realmente precisamos e até que ponto o consumismo é necessário? Na foto, o auto de The Moneyless Manifest. Fonte: Livingwithoutmoney

Vamos parar para pensar: quantos dos sapatos que temos realmente precisamos? E tivemos mesmo necessidade de mudar o modelo do celular? E quanto ao excesso de produtos com embalagem? Não podíamos evitar o uso de industrializados? E aquela comida que foi para o lixo? Não poderíamos evitar seu despejo e fazer um novo prato no dia seguinte? E aquela roupa desbotada? Não poderíamos tê-la tingido de novo e até feito um artesanato? Sim, são muitas as perguntas que temos que tentar responder!

Eu já tentei responder muitas delas e atualmente eu evito comprar ao máximo o que não necessito. Mesmo meus sapatos velhos, eu tento reformar e não troco meu modelo de celular ultra antiquado, pois ele ainda funciona muito bem. Claro que não é só sobre desperdício e consumismo! Ao mudarmos nossos hábitos, deixamos de ser autômatos e nos permitimos ser cada vez mais independentes do dinheiro! Se plantarmos uma horta, se reutilizarmos ao máximo os materiais, se evitarmos o desperdício, quanto dinheiro não deixaremos de precisar? Imagino que este seja o objetivo de Heidemarie com a sua mudança de vida: nos mostrar que há muito mais além do circuito trabalho-shopping e da vida consumista que levamos.


Heidemarie vive há 17 anos sem dinheiro. Para saber mais sobre sua vida, foi feito um documentário, cujo trailer pode ser visto aqui. Mais informações estão disponíveis no site: livingwithoutmoney.

O site Pensando ao contrário possui um projeto de legendagem de documentários como esse. Ajude o projeto a virar realidade, fazendo uma doação para o site. Gratidão!



Legendas português: "Vocês podem imaginar um mundo sem dinheiro? / Com certeza! / Você pode? Como? / Eu tinha tudo que eu precisava. Eu tinha uma casa e eu criei duas crianças. Mesmo assim, eu doei tudo. / VIVENDO SEM DINHEIRO / O que você manteve com você? Você guardou alguma coisa? / Eu dei tudo. Depois que meu apartamento foi esvaziado, eu sai pelo mundo procurando alegria. / Eu faço isso porque eu claramente sinto que não dá certo do jeito que é agora. Você tem que trabalhar o tempo todo, enquanto que outros não têm nada. / Meu objetivo é que mais pessoas se juntem a mim. / Por que as pessoas te convidam para dormir em suas casas? /  Elas ficam felizes quando você vem! / Mas elas não te conhecem. Como você chega lá? /  De carona? / Quando eu sou convidada as pessoas me mandam um bilhete / Que conveniente! / O que quer dizer? / É muito difícil conceber o que eu passei em todos estes anos / O dinheiro nos distrai do que é importante / O jeito que as coisas são hoje, não funciona. Muitas pessoas já estão cientes disso."

Paz!



Autora: Camila Gomes Victorino 




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4 comentários :

  1. Uma bela história de vida. Jesus ensinou a doarmos o que temos para vivermos com apenas o necessários e indispensável, mas o mundo está ai com seu consumo desenfreado. Faz tempo que sinto o desejo do desapego material. Não tenho coragem de fazer o que esta senhora fez até porque não é bom criarmos cargas para as pessoas. Mas muitos europeus, com certeza, passaram a refletir após conhecer a vida desta senhora.

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    1. Com certeza deve ser mais complicado faze ro que ela fez em um país subdesenvolvido, mas podemos começar diminuindo nossa necessidade de consumo, fazendo hortas em casa, coletores de água da chuva, aquecedores solares. Acho que o exemplo dela é realmente fantástico! Muita coragem, realmente! Obrigada por seu comentário, ele é muito valioso para o blog!

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    2. Não acho que ela esteja "criando cargas para as pessoas". Ela continua comprando tudo de que necessita, só que paga com a sua capacidade de trabalho. Aliás, se alguém quiser acusá-la de ser uma parasita, vou dizer que os que a acolhem e lhe dão trabalho é que são uns aproveitadores, pois não lhe pagam um tostão sequer. Nem uma coisa nem outra. Minha opinião é que devemos repensar o valor que damos à nossa vida. Nós somos "donos" ou escravos do nosso celular?

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  2. Creio que o padrão super consumista é realmente um doença do desenvolvimentismo. É preciso consumir pra gerar dinheiro e fazer a roda se mover. O que o texto propõe é simples e é o que faço e sempre fiz: poucas peças de roupa, inclusive, reciclando co amigos; nenhum desperdício de comida; nada de modinhas, não me emociona esse papo de "lançamemtos", de nada, desde roupa e sapato até o maldito celular. Até há poucos meses eu ainda usava um celular que nem internet acessava, daqueles antigos, de teclas. A experiência dela é pessoal, pois ela realmente depende de abrigos em casas convencionais, mas explicita uma possibilidade de viver simples. Ela mostra que há como muitos usufruírem com um mesmo recurso, de partilhar recursos. Um paradigma totalmente sem dinheiro exigiria relações diferentes, produção diferente. Mas é possível impactar menos, gerar menos resíduo. Já é alguma mudança.

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