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Como Se Tornar Vegan Em Um Dia

Veja aqui e agora como virar vegan rápidoe fácil! Fonte

Já fiz diversos posts sobre veganismo, mas por incrível que pareça nunca fiz um que explicasse como se tornar vegan. A verdade é que a palavra veganismo inspira por vezes algo complicado, mas, sem nenhuma dúvida, é super fácil se tornar vegan. Entretanto,  como começar? Bem, a melhor maneira de explicar é contar a minha história, então vamos lá!

Aos quinze anos eu me tornei protovegetariana, o que quer dizer que eu parei de comer carnes, mas comia outros derivados animais, como leite, ovos, mel etc. Na época não tinha internet (pelo menos não na minha casa) e eu só me liguei que a carne que eu comia era um animal que perdeu a vida, quando li um livro budista perdido nas prateleiras da minha casa: “Os 3 pilares do zen”, de Lao Tsé. Foi este livro que me fez querer acabar com a minha parcela de responsabilidade pela matança animal e me fez ligar os pontos. Assim, em seu começo Lao Tsé já dizia que nós não precisávamos tirar a vida do animal para sobreviver e que toda vida era importante e eu fiquei pensando nas inúmeras galinhas que eu ajudei a matar por gostar de coraçãozinho (eu percebi que cada um representava a vida de um frango inteiro).
Todos os animais têm direito a vida. Foi assim que comecei. Fonte

Claro que na época eu nem imaginava que o leite, o queijo, o ovo, o mel, o couro, o sabonete e todo o resto estavam violentando e massacrando os animais. Como eu disse, não havia internet, então eu me contentei com o protovegetarianismo que eu erroneamente (e muitas pessoas aliás) chamava de vegetarianismo. Para mim, a mudança foi bem normal. Hoje eu vejo as pessoas que comem carne dizendo como é díficl parar e eu não entendo muito bem porque, enfim, ser protovegetariano é só tirar a carne; o resto fica e tem em todo lugar.

A verdade é que eu fiquei assim por muito tempo e realmente achava que estava ajudando as vacas, as galinhas, os frangos, pois o meu objetivo era mesmo a libertação animal. A alimentação não foi muito complicada; o mais chato é a pressão da família, dos amigos e dos humanos em geral, que automaticamente te desprezam e te empurram seus medos quando você diz que não come carne. De um dia para o outro, eu virei um alien e todo mundo queria saber o porquê de eu ter parado. amigos ficavam literalmente de boca aberta quando eu dizia e todo jantar ou almoço era motivo para discussão e eu era geralmente o centro da roda.

Não se deixe subumbir pela pressão de quem quer viver na escuridão. Fonte

Foi esta pressão e um medo bem construído, por parte dos médicos (fiquei doente na época), que me fez abandonar o protovegetarianismo dois anos depois. O motivo de eu ter ficado doente para as pessoas, claro, era sempre o protovegetarianismo e elas fizeram questão de me convencer a cada dia e segundo que eu iria morrer se continuasse. Cedi e“fui convencida”. O problema, ou melhor, a solução, é que quando você sente que algo está errado e que tem que fazer alguma coisa, a verdade sempre dá um jeito de aparecer, porque você vai atrás dela. Claro que demorou. Eu parei de comer carne de novo aos 23 anos, depois voltei atrás e somente aos 26 anos decidi ir contra a corrente da medicina, da nutrição e do exército de médicos amadores para dizer basta e nunca mais voltei atrás. Como já tinha bastante internet por aí afora e eu me acostumei a usá-la, eu comecei a procurar mais informações sobre outros derivados animais e seus direitos em geral. No começo, eu vivia na ilusão de que orgânico era legal para os animais, mas ao descobrir um blog obscuro na internet, eu me deparei com a indústria do coalho, o qual é um ingrediente extremamente importante para a indústria queijeira.

Vaca chora ao pressentir sua morte. A indústria leiteira também mata. Fonte

O coalho ajuda a coagular o queijo e aparentemente está tudo bem com ele até você descobrir que ele é obtido do estômago do bezerro macho (ou de bois raramente), que é morto porque ele é o sub-produto indesejado da gravidez da vaca leiteira. Quando a mulher produz leite? Somente quando fica grávida. Quando a vaca produz leite? Mesmo processo: quando ela fica grávida! Então, eu liguei os pontos: a vaca é forçada a ficar grávida, nós tomamos o leite do bezerro, mas o bezerro vai tomar o quê? Nada! Porque o leite é "nosso" e não dele. Assim, para evitar que ele tome nosso leitinho, o bezerro é separado assim que nasce, vai para uma casinha escura, vai definhando de fome e a carne fica bem macia porque ele não se mexeu muito. Matam ele, o coalho é retirado do seu estômago e a carne é vendida como baby beef. Sem mais!

Foi fácil ligar os pontos? Demorou, viu! Eu, na realidade, só percebi, na época, que eu não poderia ser "vegetariana" se continuasse comendo conteúdo estomacal de bezerro. Parei com os queijos com coalho animal e comecei a comer só queijos com coalho vegetal, mas uma pulga ficou atrás da orelha e alguns meses depois eu já estava descobrindo tudo sobre a indústria leiteira. Assim, o que aconteceu é que toda esta história sobre o coalho me fez perceber que tudo que vinha do leite estava condenado, sendo totalmente anti-ético. Não adiantava ser orgânico, não adiantava a vaca viver em um pasto verdinho, pois o próprio fato de forçar a gravidez de uma vaca para beber suas secreções mamárias (sem necessidade nutricional, aliás), já tinha se tornado algo totalmente from hell para mim (não achei expressão melhor).

Demorei para perceber que galinhas livres também podem ser escravas. Fonte

Enfim, olhem quanto tempo eu demorei! Quase uma década entre protovegetarianismo e flexitarianismo (pessoa que come de tudo) e depois de tirar o leite da minha vida, eu ainda fiquei comendo ovo e mel (mas já boicotava produtos não alimentíceos com sebo e derivados animais ou testados, como cosméticos). Naquela época, eu ainda teimava em considerar que ovo orgânico (ovo de granja, ovo do bem, ovo das galinhas felizes) era bem ético e isto se deu principalmente porque eu fui visitar uma fazenda orgânica e vi várias galinhas poedeiras soltas na grama! 

Um dia, visitando mais sites de receitas e já super apoiando o veganismo (mas ainda achando meio sem sentido porque ovo orgânico era do bem, né?), eu me dei conta de que as galinhas orgânicas eram mortas depois que ficavam velhas e viraram "coraçãozinho". Ademais, eu também descobri que elas eram exploradas e alimentadas de maneira artificial, ou seja, com alimentação excessiva (mesmo que com milho orgânico) para satisfazer a demanda de produção e então caiu a ficha: plim! Não importa que você faça carinho, não importa que você dê colo e não importa que você chame suas galinhas de Matilda, o fato de se apropriar do corpo e das secreções do animal é uma forma de escravidão e transformação do animal em objeto!
Aplausos e festa! Enfim, virei vegana! Fonte

Faltou o mel! Está dando sono! Eu já estava quase lá, eu estava quase ligando todos os pontos, eu estava quase percebendo que veganismo não é radical, mas radical é matar sem necessidade e foi então que "A melhor palestra que você vai ver em toda a sua vida"*, do Gary Yourovsky apareceu na véspera de Natal e virei vegana! Ufa!

*esta palestra tem vários problemas, sem contar o fato do Gary ser um pouco misântropo (pessoa que odeia humanos), mas isto não nega a veracidade da maioria dos fatos que ele diz na palestra. Ademais, não sou um zumbi! Ser vegan é possível, saudável e ainda deixo os animais livres, cuidando de suas próprias vidas.

E eles foram veganos para sempre...

Amo ser vegan! Fonte

Tem muita gente que me diz que jamais seria vegan, pois é difícil, é barra, meu pai não deixa, meu marido briga comigo. Bem, cada um é cada um, mas eu gostaria de falar de minha experiência resumidamente: ter me tornado vegan foi uma das melhores coisas que já aconteceu em toda a minha vida. Eu como muito bem; as receitas são deliciosas e eu nem sinto falta de nada animal, porque o gosto de tudo vem dos vegetais, ora bolas! Minha saúde melhorou e eu ainda me sinto um espírito mais conectado com a natureza e com o planeta, porque quando eu vejo um animal qualquer, eu sei que o que sinto no meu coração é amizade de verdade, porque eu não financio a morte de nenhum deles (pelo menos tento ao máximo). Eu sinto que o meu discurso está totalmente conectado com a minha prática, porque eu não fico só falando de amor e paz, eu crio amor e paz no dia a dia e, claro, quando vir um chato falar com você, isto não vai fazer diferença nenhuma, porque o que importa é a realidade como ela é e a gente sabe que está no caminho certo, buscando sempre se aperfeiçar e encontrar a verdade. 

Legal! Mas você não virou vegana em um dia, mas em 12 anos! Como eu virarei em um dia, então?

Hoje temos muito mais acesso à informação do que no passado. Informe-se! Fonte

Verdade! Mas, aquela era outra época! Se vocês lerem o texto com atenção, vocês vão notar que eu só não virei vegan aos meus 15 anos de idade porque me faltava informação (eu queria mesmo ajudar aos animais. A intenção era boa, mas a informação era restrita). Eu não tinha sites à minha disposição, eu não tinha como encontrar outras pessoas veganas que me auxiliassem ou que me apoiassem e eu era o único ET protovegetariano de todos os meus amigos, família, vizinhos etc (eu só conheceria outra pessoa protovegetariana cinco anos depois na universidade e eu só ouviria falar de veganismo nove anos depois em um movimento social que participava). Ou seja, se eu tivesse 15 anos de novo, nesta era de internet, e lesse em algum lugar sobre como os animais são explorados, eu, com certeza, náo teria d[uvidas: veganismo já! Afinal, o protovegetarianismo, como vimos, não ajuda muito aos animais e, para alguns, pode servir como fase intermediária para o veganismo, mas é somente isso, nada mais (leia também “Por que o vegetarianismo não basta”).

Hoje, eu sei que eu viraria vegana em um dia, se tivesse o Google e o Facebook à minha disposição! E não seria muito díficil! Eu teria acesso à informação e eu perceberia que, além de ser delicioso, é fácil achar comida (pois comida vegana é arroz e feijão, cenoura, batata, castanhas, amendoim, abacate, enfim). Se fosse hoje, eu até faria amigos veganos e não me sentiria isolada, como me senti aos meus 15 anos, pois, cada vez mais, os ETs são eles! Mas bem, talvez seja melhor eu explicar quais são os passos para virar vegan em um dia (ou dois ou três, siga seu tempo), então eu fiz uma pequena listinha para os dias de hoje, em que toda a informação pode ser acessada facilmente. 

Vamos aos passos!

Veja os passos para um veganismo super rápido! Fonte


1) Primeiro de tudo, aprenda a se colocar no lugar do outro! Se você quer virar vegan, possivelmente você já deve ter se colocado no lugar dos animais, mas se você ainda tem aquela duvidazinha ou aquele quê de indiferença (mas quer mudar), faça um exercício em que você se imagina na pele de uma vaca, que tem uma mão (ou um dispositivo) enfiada na sua vagina algumas vezes ao ano (imagine também se você for homem) e é inseminada artificialmente; imagine que te tiram seu bebê à força e depois o matam de fome; agora imagine que te sugam o leite com máquinas que te deixam ferida e quando você está cansada e velha, você é morta (te furam a cabeça). Você também pode usar outros exemplos: imagine que te arrancam os dentes sem anestesia (assim como fazem com os pintinhos, mas com os bicos), pois você está tão louca de ficar presa para sempre no escuro e em um quarto apertado que quer se matar se dando mordidas; imagine que você fica deitada para sempre (como uma porca) numa espécie de berço e que você não pode se mover e fica assim até ir para o matadouro; imagine que arrancam seus cabelos até sair o couro para fazerem travesseiros (ganso) ou imagine que te tiram de sua família, te colocam numa gaiolona e ficam te olhando e rindo e dando tchau (zoos, circos e outros). Enfim, tem vários exercícios de compaixão que você pode fazer (este exercício é bom para fazer com humanos também). Após fazer todos e perceber que você consegue entender melhor como eles se sentem, olhe para si e perceba aumentar seu desejo por querer fazer justiça a favor dos animais. Vá para o passo dois.

Aprenda a cozinhar! Fonte



2) Vá no Facebook e procure o grupo Troll Ajuda. Este grupo tem um monte de gente voluntária disposta a te dar toda a informação que você precisa para se tornar vegan. Lá tem como achar proteínas em vegetais (super fácil, alías), como driblar argumentos a favor dos direitos da alface, onde achar produtos industrializados veganos, inclusive cosméticos, e de limpeza. Use a lupa do grupo para procurar assuntos específicos. Escreva “veganismo” no Google para se informar mais. Leia para caramba e veja documentários, como: Terráqueos, A carne é fraca, Cowspiracy, Veducated, Food Matters, Black Fish, A galinha que burlou o sistema, Making the connexion, Especismo, Forks over knives, A engrenagem! Dê uma olhada nos filmes da sessão "Pensando filmes" do nosso site. Alguns sites que recomendo para aprender também são: CulturaVeg, Camaleão, Veganagente, ANDA e claro minha sessão de veganismo do blog (VEGANISMO). Leia livros sobre direitos dos animais: Paul Singer, Gary Francione, Melanie Joy são bons autores.

3) Agora que você já está equipadx de teoria e compaixão e sua força por justiça está inabalável, aprenda a cozinhar. Vá no Youtube e procure por canais de receitas veganas. Eu gosto bastante do VegTube e Vegetarirango. Vá em sites de receitas, como o Cantinho Vegetariano e Menuvegano.

4) Pare de comer derivados animais. Com todo o conhecimento, você está prontx para embarcar nesta aventura. Aliás, você não precisa ler tudo e virar um chef de cozinha e só depois resolver cortar os derivados e virar vegan. Faça isto hoje e vá fazendo os outros passos aos poucos. Pare de comprar e financiar este tipo de exploração que te dá revolta e nó no estômago! Não precisa convencer sua mãe, seu pai e sua avó. Diga apenas que é sua decisão. Se mostre forte. Com sua leitura na ponta da língua, argumentos como alface sente dor, piadinhas, homem das cavernas e outros não te abalarão nenhum pouco, pois informação é tudo neste mundo e ela está do nosso lado.

Veganismo é vida, alegria e paz. Informe-se. Fonte


Conclusão: o principal motivo que faz com que pessoas não virem veganas e optem por continuar a comer carnes e derivados ou apenas se tornem protovegetarianas, consumindo queijos, leites, ovos e afins é a falta de informação. Decerto que por vezes é um pouco de preguiça de ir mais a fundo e por vezes é falta de compaixão e pura maldade mesmo (acredito que este caso seja exceção, porém). A maioria das pessoas vive de hábitos e quando estes se enraizam é muito forte quebrar. Elas até inventam teorias e "dados" científicos para se auto-justificar, então se a informação não aparece e dá aquela sensação de que alguma peça está faltando, é comum que a pessoa fique na mesma para sempre. Assim, a solução é se informar quando puder e ajudar a informar aqueles que se mostram curiosos, sem julgar. Julgar nunca vai ajudar aos animais, porque se você apontar o dedo para alguém de maneira violenta, esta pessoa vai associar veganismo com você e ela não vai mais gostar de você quando você agir assim com ela. Ademais, tem o outro lado: você vai perceber que quando virar vegan, vai ter muita gente que vai te julgar e não será só quem come carne. Infelizmente, alguns veganos vão se mostrar julgadores e cabeça dura, achando-se mais veganos e mais ativistas do que você. Não se preocupe com isso e não se deixe vencer, a luta é pelos animais e por este planeta maravilhoso e gente assim, a gente sabe, tem em todo lugar! Deixe para lá a amargura dos outros porque todo mundo é estudante aqui e vamos todos juntos pensando ao contrário!

Paz!



Autora: Camila Gomes Victorino 




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