[ECOTUTORIAIS][bleft]

O Manifesto Pelo fim do Dinheiro.

Precisamos voltar às origens. Fonte
No passado não existiam donos de terra, assim como até recentemente não existiam donos da água e até o momento não existem donos do ar. Com o advento da agricultura, todas as necessidades humanas poderiam ser supridas pelo plantio na terra, colheita e retirada da água das nascente e materiais da natureza local, mas grupos que possuíam algum tipo de vantagem, como maior força física ou maior persuasão política acabaram por concentrar os meios de produção, que antes eram disponíveis a todos. Hoje, nós trocamos nossa mão de obra por dinheiro para trocá-lo novamente pelos produtos dos meios de produção que nos foram destituídos.
Quem detém os meios de produção aluga nossa mão de obra para gerar ainda mais poder, pois nosso trabalho não é trocado pelo valor real dele, mas por um valor menor, ficando o que sobra (a mais valia) para o detentor dos meios de produção. Assim, o problema da sociedade em si é a apropriação dos meios de produção, afinal se todos tivessem como produzir, ninguém precisaria alugar sua mão de obra e todos teriam os bens nas quantidades que necessitam.

Fomos fadados a alugar nossa mão de obra sem os meios de produção. Fonte
Mas como voltar ao que era antes? Como evitar que a desigualdade continue se multiplicando ainda mais e para as futuras gerações? Surge então o manifesto contra o dinheiro. De acordo com os seus preceitos, as pessoas que abdicam do dinheiro, têm como objetivo diminuir totalmente o consumo de inutilidades e, com isso, não precisar mais trabalhar tanto para acumular uma grande quantidade de dinheiro. Além disso, os bens necessários à sobrevivência são cultivados  e divididos em terras adquiridas coletivamente e a água é adquirida em nascentes.


Do que realmente precisamos? Fonte

Em um primeiro momento, a terra é obtida através dos meios comuns de nossa sociedade, com a compra de propriedade privada, porém, ao invés dela ser usada como uma ferramenta de exclusão, ela é usada como elemento de construção de um tipo de sociedade que à longo prazo, deixa de consumir. Em um momento intermediário, as necessidades inúteis são deixadas de lado e as necessidades que se mantêm são obtidas por vias de produção e não de consumo, como pelo plantio dos próprios alimentos, produção de moradias coletivas e baratas, uso e reuso de materiais da natureza para utensílios em geral. No caso do trabalho, trabalha-se menos, pois a necessidade de dinheiro é menor. Assim, ganha-se tempo, um recurso extremamente escasso na sociedade atual.


Investir nas futuras gerações. Fonte
À curto prazo, o tempo de sobra serve para a construção e melhoramento da sociedade alternativa, mas à longo prazo, o tempo é transformado em riqueza para as futuras gerações e desenvolvimento humano. Artes, música, cultura, educação, convivência com a natureza e o divino interior são algumas das coisas que podemos fazer com o imenso tempo livre que temos, além de um desenvolvimento mais prolífico da ciência e de tecnologias não excludentes e que beneficiem a todos, incluindo outras espécies e o planeta como um todo.
Utopia? Nada é utópico quando existe a possibilidade de que se torne realidade e as sociedades sem dinheiro começam a se tornar cada vez mais comuns no interior do Brasil e no mundo. Até então, elas ainda estão na fase intermediária em que precisam manter um laço com a sociedade e utilizar recursos financeiros para algumas necessidades, mas só o futuro diz o quão importantes elas serão para a humanidade, se ela não se destruir primeiro.

Viver no paraíso e deixar a sociedade se auto-implodir?

Trazendo do campo, a sabedoria para a cidade. Fonte
Viver em comunidades sem dinheiro é um desejo de muitas pessoas, mas sempre fica a dúvida de como beneficiar a sociedade que ficou para trás. De fato, seria muito fácil se fôssemos todos embora e deixássemos a sociedade de consumo se auto-implodir, porém não é excludente fazer parte de uma sociedade anti-consumista e auxiliar a sociedade de consumo de alguma maneira ou outra a se melhorar. Assim, muitas pessoas mantém um pé em cada local, tentando trazer para a cidade tecnologias de bioconstrução e agricultura urbana, técnicas de comunicação não-violenta, bio-transporte e tantas outras formas de viver sem consumir em excesso. Assim, acredito que seja possível, pelo menos nesta fase intermediária, auxiliar em ambos os locais e tanto desenvolver-se plenamente, como também ajudar a cidade a se libertar.

Para saber mais:


Mark Boyle. Fonte
“The moneyless Manifesto” é um livro escrito por Mark Boyle, um dos precursores da geração de ecovilas livres. Ele tenta fazer de suas ações o que acredita e por isso saiu da cidade rumo ao campo, passando a viver totalmente sem dinheiro por vários anos. Atualmente, ele disponibiliza uma versão de seu livro gratuitamente em sua página e só cobra pela versão impressa. Vale muito à pena ler para saber mais sobre como viver sem dinheiro e todos os benefícios que isso pode trazer à sociedade.


Acesse a página clique aqui


Clique abaixo para baixar o livro (inglês)
 http://www.unwelcomeguests.net/archive/audiobooks/Moneyless%20Manifesto/Moneyless%20Menifesto%20%28Mark%20Boyle%29.pdf



Paz!

 Autora: Camila Gomes Victorino 

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6 comentários :


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