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É Preciso Ser Rico Para Ser Vegano? Mais Caro ou Mais Barato?


Sempre encontro alguém que me olha como se eu fosse rica quando falo que sou vegana. Há pessoas que dizem que é fácil falar quando não estou passando fome ou aquelas que dizem para eu sair do meu mundinho classe-mediatista pequeno-burguês, que come congelados finos com quinua e castanhas do Pará.
Pois bem, é fato que congelados veganos feitos com farinha de coco, regados em xarope de agave, trufados com chocolate belga são de fato espantosamente mais caros do que uma caixa de bombom de mercadinhos da periferia, mas será que o vegano ou vegana se alimenta somente de congelados e comida pronta? Ou será que só usam produtos cosméticos e de limpeza daqueles orgânicos e veganos que custam o triplo do preço?
Bem, esta é a imagem que a mídia faz do veganismo e é até interessante para o status quo manter a ideia de que veganismo é algo impensável para a maioria da população, afinal fica a ideia de que se todos resolvessem virar veganos da noite para o dia passariam fome por não ter dinheiro para comprar hambúrguer de soja. Porém, a realidade é outra, pois veganos nem só não se alimentam de congelados e leites de castanha todos os dias, como também não comem somente soja todo santo dia, no café, no almoço e na janta.


Assim, para diminuir a ignorância midiática e ajudar mais e mais pessoas a entenderem que é possível ser vegano em qualquer classe social e sem precisar comer sequer um grão de soja, resolvi escrever este post para mostrar de uma vez por todas que o veganismo é sim uma solução plausível para todas as pessoas desta humanidade e extremamente benéfica para a saúde e o meio-ambiente.

O que um vegano come, afinal?

Antes de falar de preço é preciso saber o que os veganos compram em seu dia a dia e se estes produtos são de fato acessíveis.
Primeiramente, a população em geral imagina que a dispensa dos veganos é repleta de produto a base de soja. Assim, os veganos devem comer hambúrguer de soja, soja texturizada em mil formatos, salsicha de soja, linguiça de soja, tortinhas de soja, leite de soja, creme de leite de soja e toda a infinidade de produtos de soja que se vê por aí nos supermercados.
De fato, não são só os não veganos que pensam assim: na maioria dos casos, os iniciantes do veganismo se preocupam quando não acham soja perto de onde moram, com medo de que não poderão ser veganos porque a soja não é acessível.
De onde vem este mito, eu não sei dizer, mas a realidade é que alguns veganos, senão muitos deles, sequer comem soja, como eu, por exemplo, e para conseguir minhas proteínas, minerais, vitaminas, carboidratos e lipídeos, eu não consumo nenhum tipo de produto em especial, mas somente vou à feira e compro frutas, verduras e legumes como qualquer pessoa faria.


A verdade é que eu como de tudo, menos carnes, leites animais, ovos, mel e outros componentes “secretos” provindos de animais. Todo o resto do reino vegetal e, por sinal, a maior porcentagem de alimentos que um onívoro também consome, fazem parte da minha alimentação.
A diferença é que eu consigo minhas proteínas através do arroz integral com feijão, lentilha grão de bico e qualquer outro tipo de feijão que se encontra por aí. De resto, eu as complemento com cogumelos refogados, castanhas e algumas sementes (ou comida de passarinho), inclusive o famoso alpiste. Por fim tem proteína na abóbora, na ervilha, no milho, na berinjela, no jiló, enfim, todo vegetal em um pouco de proteína e é só eu fazer uma refeição balanceada todos os dias para continuar a ser forte e saudável.

Vitaminas e minerais consigo das frutas, verduras e legumes da feira; lipídeos provém dos óleos vegetais que consumo, como azeite ou óleo de girassol ou castanhas ou abacate, rico em vitamina E, aliás. E os carboidratos, bem, todas frutas e os grãos, como arroz e trigo, os têm de monte, além de encontrá-los na batata, mandioca, inhame, cará entre outros.
Assim como vocês podem ver, tudo que eu consumo vem praticamente da feira ou do empório de cereais (ou supermercado comum) e a soja, passa até batida, mas agora você deve estar se perguntando, como eu faço com o leite vegeta, cuja caixa pode chegar a custar até R$12,00.

Produtos industrializados X faça você mesmo

Eu tomo muito leite vegetal, quase todos os dias, mas isso não significa que eu compre o leite de caixinha. Leites vegetais prontos são extremamente caros e além disso, quase não possuem o leite da planta, pois são misturados com uma grande quantidade de suco de maçã e água para aumentar o lucro das empresas. Por fim, no caso da soja, existe um problema aind amais sério: apesar de ser o mais barato, o leite de soja é, na sua maioria, transgênico, e por isso não é recomendado se você se preocupa com a sua saúde e de sua família (veja post: “A ciência contra os transgênicos”), assim, a solução para que quer continuar a tomar um leitinho com café ou chocolate, é fazer o leite em casa, o que não é só saudável, como mais barato e mais rápido (veja post “Leite de soda ou leite de soja” para aprender a fazê-los).


A maioria dos leites são feitos de castanhas, mas existem opções mais baratas, como o leite de coco, aveia e arroz. Estes leites duram em média de dois a três dias na geladeira antes de azedar (jogar água fervendo no recipiente antes de guardar o leite e fechar bem aumenta a data de validade) e podem ser uma opção para a família. Se ainda achou caro, também é possível não usar leite ponto, afinal, do ponto de vista nutricional ele não é nenhum pouco necessário e para fazer receitas, basta acrescentar água.
Quanto a outros tipos de produtos, como queijos, cosméticos e produto de limpeza, tudo é possível e sempre existe uma receita caseira, ou seja, fazer em casa é a solução para um veganismo mais barato e ainda ajuda a diminuir a quantidade de químicos no ambiente familiar. Por fim, no caso do ovo, purê de maçã e banana substituem bem em receitas de bolo e linhaça deixada de molho, ajuda a dar liga em outros tipos de massa.

Mas, no final das contas, o veganismo saí ou não saí mais caro?

Resolvi fazer uma tabela para desmistificar a ideia de veganismo caro e de elite. Tudo que compro se vende em feiras e mercadinhos e eu vou assumir desde já que eu gasto menos comprando orgânicos e sendo vegana do que na época em que comia carne, mas isso pode parecer meio espacial para a maioria das pessoas, então vamos às contas para provar que o veganismo é ainda mais barato do que comer carne.

A tabela abaixo foi baseada na cotação de preços de um hipermercado da cidade de São Paulo em março de 2015. O hipermercado é principalmente freqüentado por pessoas da classe média média da cidade. Infelizmente, não foi possível cotar no supermercado mais popular, visto que este não possuía serviço online. Procurou-se escolher as marcas de produtos mais baratos da lista do supermercado, no caso da lista dos onívoros. Na lista dos veganos, optou-se por uma alternativa de produto mais saudável, quando esta existia. Algumas alternativas veganas foram cotadas em um empório de alimentos integrais da região do Brás da cidade de São Paulo, em uma loja de produtos japoneses do bairro da Liberdade e em uma feira livre por falta de alternativa no supermercado convencional ou pelo preço abusivo do produto no mesmo. Observa-se que compras realizadas em supermercados mais populares ou em feiras e lojas à granel podem ficar ainda mais baratas principalmente para os veganos.

(CLIQUE PARA AMPLIAR)



Conclusão

Após vermos a tabela e compararmos, notamos que os produtos caros comprados por veganos (como algas, cogumelos, por exemplo) equilibram-se com os produtos caros comprados pelos onívoros (como carnes e queijos). Nota-se que o valor foi similar e só não foi menor para os veganos porque substituímos produtos da lista onívora por alternativas mais saudáveis e mais caras (integrais e orgânicas). Assim, se o vegano não ligar para a saúde, a compra vegana fica ainda mais barata do que a onívora. No final, é possível ser vegano/vegana em qualquer situação social em que a pessoa tenha dinheiro suficiente para uma compra mensal típica do brasileiro, pois as pessoas se esquecem que carnes, queijos, leites e derivados são muito caros e que, se tirados do prato, acabam causando economia.
No mais, podemos dizer agora que ser vegano não é só vantagem para os animais, para o meio-ambiente e para a saúde, mas também é vantagem para seu bolso.

Paz!

 Autora: Camila Gomes Victorino 

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