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Pés Descalços Na Terra Viva E O Fim Dos Sapatos


Os sapatos substituíram nossos pés e acabamos
por nos tornar escravos dele.. Fonte: fpslivroaberto
Sapatos são muito úteis, isto não podemos negar! Eles nos ajudam a proteger os pés de pedras e objetos pontiagudos e também nos isolam do calor e do frio extremo. Apesar disso, eles não são sempre necessários e podem até causar danos em alguns casos. É por isso que atualmente mais e mais pessoas estão tirando os sapatos para nada menos do que se reconectar com a terra e melhorar a saúde.
Mas como melhorar a saúde quando pisamos em um solo cheio de bactérias, metais potencialmente pesados, agrotóxicos e até animais pequenos que podem transmitir protozoários, enfim (....), há de fato uma série de fatores que poderiam nos mudar de ideia ao tirar os sapatos, mas esta visão está mudando e mais e mais estudos científicos mostram que faz mais bem para a saúde tirar do que colocar os sapatos.

Primeiramente um estudo de 2010 publicado na revista Nature (1) mostrou que corredores habituados a correr descalços (como os Kalenji na África) conseguem aproveitar melhor a energia muscular, e consequentemente correr mais, do que corredores usando calçados de última geração. Além disso, os corredores descalços têm menos chances de sofrer fraturas, torções e outras injúrias do que corredores usando sapatos.

Pessoas que andam descalças em solos
saudáveis têm menos chance de
desenvolver alergias. Fonte:
CasaAlquímica
Além disso, alguns estudos notaram que crianças vivendo em fazendas e ambientes campestres agroecológicos tinham maior resistência e menor incidência de asma e alergias do que crianças de ambientes urbanos ou em ambientes campestres repletos de agroquímicos.
A conclusão do estudo aponta que a microbiota da pele e outros órgãos do ser humano, contendo espécies variadas de microorganismos, ao nos proteger e manter nossa saúde, é aumentada quando interagimos mais com a "sujeira" do meio-ambiente. Assim, quanto mais contato temos com a terra, mais e mais nos tornamos resistentes, porém há um detalhe muito importante: a qualidade do solo em que se vive.
Pesquisadores (2) descobriram que as bactérias que habitam nosso corpo fazem trocas genéticas com o mundo exterior, principalmente com bactérias que crescem no solo onde foi plantado nosso alimento. Ao trocarem informações genéticas, esta microbiota evolui e pode nos auxiliar a nos proteger de patógenos reais. Nesta linha, um grupo de pesquisa francês (2) notou que uma mesma sequência genética foi encontrada em bactérias do intestino de japoneses e em bactérias presentes em algas vermelhas, matéria-prima da alga nori. Os cientistas concluíram que trocas genéticas ocorrem entre bactérias provindas do alimento e aquelas que estão nos nossos intestinos. E para benefício nosso, o grupo aponta que esta poderia ser a razão dos japoneses apresentarem maior facilidade de absorver nutrientes de algas vermelhas do que outros grupos humanos com dietas diferentes.

Pés sujos não são tão ruins assim!
Fonte: DreamsTime
O que se pode tirar de importante daqui é que sujeira não é de todo ruim e que alimentos extremamente higienizados não trazem tantos benefícios quanto se poderia supor. Nisto, vem a importância de preservar a qualidade do solo, sua riqueza e evitar o uso de venenos na agricultura, o que por si só melhoraria e muito a diversidade de seres vivos que nos abrigam e que auxiliam em nossa saúde. Mas, o que andar descalço tem a ver com isso? Tudo! Afinal, andar descalço aumenta nosso contato com a terra e com as bactérias. Claro que pisar em qualquer solo descalço e aprender a conviver pacificamente com uma “sujeira” saudável não é algo que se faz em qualquer lugar. Infelizmente, os solos estão cada vez mais contaminados com metais pesados, agrotóxicos, parasitas de animais domésticos e muitos outros inimigos, porém reflita: o sapato é realmente um protetor eficiente em qualquer situação? Claro que não! Na realidade, o sapato tem seus benefícios no dia a dia, mas usá-lo sem escrúpulos e principalmente sem reflexão pode nos levar a evitar esta crescente troca com o ambiente.

Já andamos descalços na praia e em rios, só nos falta perceber que andar
em solo sadio também trás benefícios.
Fonte: Abril
Além destas informações, ainda há o lado místico e popular de tudo isso. Muitos místicos dizem que andar descalço na terra crua, aquela de sítio, cheia de vida e sem veneno, representa uma conexão com a mãe natureza e uma energização. O conhecimento popular, por outro lado, afirma que muitos sedimentos tem propriedades medicinais, como a argila, e andar descalço nestes locais poderia ter propriedades farmacêuticas. Eu acredito nisso, mas para quem não acredita, pelo menos existem dados científicos que começam a mostrar que realmente podemos nos beneficiar desta interação maravilhosa.
Por fim, não poderia deixar de citar o fato de que andar descalço aumenta nossa propriocepção e nossos pés passam a nos ajudar a entender o ambiente em que vivemos apenas por tocarmos nele.
Com todas estas informações o número de pessoas que está abandonando de vez o uso de sapatos em suas terras verdes é cada vez maior. Um destes curiosos casos é o de Mick Dodge, que resolveu sair da sociedade do espetáculo. Mick, atualmente, vive na floresta, sem o recurso a nenhuma tecnologia, e resolveu abolir de vez o uso de sapatos para se reconectar com a terra e aperfeiçoar os sentidos dos pés.

Como diz Chandra Lacombe, vem surgindo um novo tempo!
Fonte: Osabetudo
Deixo a inspiração para vocês e sempre é bom lembrar que quase tudo que nos foi apresentado na infância como extremamente necessário é apenas uma ferramenta útil em algumas circunstâncias. Usá-las como um anexo pode nos tornar escravos dela e, inclusive, danificar nosso poder de imaginar uma sociedade diferente em que outra vida sem tecnologia, sem energia, sem quase nem um bem material é impossível. Esta vida não é algo para algumas pessoas especiais, mas algo que pode ser de todos desde que olhemos um sapato ou qualquer outra coisa qualquer e nos perguntemos se precisamos mesmo disso em uma dada situação.

Paz!
Referências
1 - Lieberman, D. E. et alNature 463, 531–535 (2010).
2 - Hehemann, J.-H. et al. Nature 464, 908-912 (2010).

A incrível vida de Mick Dodge e seus pés descalços (legendas exclusivas "Pensando a contrário")



Autora do texto Camila do Arco-Íris


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