[ECOTUTORIAIS][bleft]

“Eu tenho medo dos vegetarianos...”











Desta vez, mais pessoas têm medo.
Muitas mais!
Fonte: Os primitivos
Se hoje estivéssemos em uma eleição a favor da abolição do consumo de carne, talvez fosse possível ouvir uma frase de Regina Duarte (ou Roberto Carlos) dizendo: “Eu tenho medo dos vegetarianos”, um trocadilho para a famosa frase dita pela atriz na campanha anti-petista das eleições presidenciais de 2002.
De fato, isto não é apenas uma provocação, pois começa a ficar cada vez mais claro que a indústria da carne e derivados está realmente preocupada com o crescimento do vegetarianismo e veganismo no mundo. E não é sem razão: o vegetarianismo está crescendo no mundo inteiro e começa a ameaçar uma das principais bases do capitalismo contemporâneo, o que é perigoso para o sistema. Apesar de parecer teoria da conspiração, o vegetarianismo, e mais especificamente o veganismo, não ameaça apenas o sistema de exploração animal, mas sim todo o sistema de produção, pois quase todos os produtos de nossa sociedade dependem de algum componente animal, indo dos simples alimentos, até borracha, pneus e plástico. Assim, o que aconteceria com um mundo desigual em que mais e mais pessoas optassem pelo fim da exploração animal? Revolução silenciosa.

Eles estão com medo das mudanças, mas não nós.
Fonte: MensagensCurtas
Bem, tudo parece apenas um discurso utópico de ficção científica, mas esta onda de crescimento dos movimentos de libertação animal está causando certo constrangimento em certos setores da sociedade, o que faz com que seja cada vez mais comum o desmerecimento de grupos defensores dos direitos dos animais em publicidades e programas televisivos. O primeiro exemplo que deve vir à mente é o mais atual, tratando-se da “venda” despropositada do “ex-vegetariano” Roberto Carlos, que aparece em uma propaganda de uma grande produtora de derivados animais desistindo da dieta vegetariana, em favor da gostosura do bife da marca em questão. Teoria da conspiração ou provocação direta a todo um grupo que uma década atrás ainda não causava incômodo suficiente no Brasil? Acredito que esta propaganda deixou claro o medo crescente que estes grupos industriais têm do crescimento de defensores dos direitos dos animais, a ponto de fazerem (e pagarem caro) uma propaganda em que um “vegetariano” famoso volta a comer carne.

O veganismo é uma revolução, o vegetarianismo um passo para ela e é
por isso que eles têm tanto medo.
Fonte: EscrevaLolaEscreva
Mas não é só no Brasil: em vários episódios da série “How I met your mother”, programa bastante conhecido nos EUA, os atores principais fazem constantes piadas contra veganos e pessoas favoráveis a uma alimentação sem carne, caracterizando-os como excêntricos e a parte da sociedade; muitas vezes, também é comum ver os personagens comendo carne e se deliciando, como se o alimento fosse muito mais prazeroso do que outros tipos. Em outra série menos conhecida, “Hart of Dixie”, um episódio inteiro foi consagrado a uma semana da saúde, em que os personagens trocam os alimentos “deliciosos”, como leite, carne e bacon, por alimentos saudáveis vegetais, muitos veganos e sem glúten. Apesar de aparentemente educativo, o programa mostra como os personagens odeiam a “terrível comida” saudável, pelo seu gosto ruim e sem sabor. Além disso, os personagens passam a fazer contrabando da outra cidade, consumindo carnes, bacon e doces engordurados escondidos, deixando claro que é impossível trocar “deliciosos” produtos de origem animal por “insossos” alimentos veganos, saudáveis e sem glúten.

O veganismo e o vegetarianismo estão crescendo cada vez mais, segundo
dados estatísticos. Fonte: Peta
Mas por que tanta propaganda? Por que tanta piada e tentativa de menosprezo do movimento vegano e vegetariano? A simples resposta aparece nas estatísticas que mostram que 12 milhões de vegetarianos já habitavam a Europa em 2002; 2,5% dos americanos são veganos e 5% vegetarianos, sendo que a população vegana equivale aproximadamente a mesma população de Los Angeles; no Brasil 8% ou 15,2 milhões de pessoas já são vegetarianas, segundo senso de 2012, e São Paulo e Fortaleza lideram o ranking de cidades brasileiras com mais veganos e vegetarianos (veja mais informações sobre estatística e vegetarianismo neste link).

Eles podem tentar nos enganar, mas uma simples pesquisa
ou pedaço de bolo vegan é suficiente para nos convencer
de que ser vegano é estar no paraíso.
Fonte: Veganismo
No fim, por mais que fiquemos chateados com toda esta massiva propaganda enganosa de grupos industriais a favor da carne, eu considero que este medo irracional é um bom sinal de que o movimento de libertação animal está vencendo e ganhando cada vez mais adeptos. Cada vez mais pessoas têm acesso às pesquisas científicas que comprovam a superioridade de uma dieta vegana para a saúde; cada vez mais estudos começam a mostrar que alimentar-se de carne é cancerígeno e aumenta as chances de desenvolver diabetes e hipertensão; além disso, mais e mais pessoas têm acesso a receitas, a pratos prontos e a restaurantes que mostram que é totalmente possível ter uma vida vegetariana e vegana - sem perda de cálcio, ferro e proteínas, como as malfadadas propagandas enganosas querem tanto nos convencer.

Eles tentaram, mas não conseguiram convencer nem com
estudos científicos falsos. Isso também valerá para o
veganismo. Fonte: Euodeiotrabalhar
No fundo, não nos esqueçamos do passado! Um passado em que um grande lobby político injetou milhões em publicidade para convencer a população de que cigarro não matava. Foram milhões investidos em falsos estudos e em propaganda para convencer as pessoas de que o velho hábito de fumar era perfeitamente normal.
Vamos parar para pensar nisso e transcrever este exemplo histórico para a luta pelos direitos dos animais, por um planeta livre de poluição, pela luta pela conservação do Cerrado e da Amazônia, pela luta pelo direito à saúde. Sim, o veganismo é apenas um passo alimentar na vida de uma pessoa, mas o seu crescimento tem tantos impactos que pode curar grande parte das doenças de nossa sociedade! O simples ato de parar de comer carne e derivados não só salva milhares de vidas animais, como salva diversos ecossistemas, terrestres e marítimos. Além disso, este simples ato salva vidas humanas da escravidão bastante comum em matadouros; salva milhões de pessoas de doenças incuráveis, como diabetes e câncer, e libera a sociedade de uma quantidade absurda de violência que possivelmente se reverterá numa diminuição da violência contra humanos.

Eles têm medo e sabe por quê? Porque nós vamos vencer!
Fonte: IdeiasGreen
Claro que eles estão com medo dos vegetarianos (e muito mais dos veganos). Mas, vamos seguir em frente, porque por mais que eles façam propagandas enganosas e paguem milhões a artistas famosos, o movimento está crescendo cada vez mais, dentro de uma lógica de não violência, propagando amor, ao invés de ódio. Desta vez, simples propagandas não serão capazes de acabar com esta crescente avalanche verde, simplesmente porque a verdade já está lá fora, só faltando ao interessado fazer uma pesquisa rápida em qualquer buscador da internet. No fundo, não precisamos ter medo e é justamente pelo fato de que esta resposta atrapalhada da mídia já é um forte sinal de quem está vencendo.


Paz!

Texto: Camila do Arco-Íris



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21 comentários :

  1. Kkkk.
    kkkk.
    um mais doido que outro.
    uma pena alguém ser tão analfabeto político pra achar que essas propagandas tem relação com carne.
    provavelmente nao sabe que o governo federal e BNDES emprestou bilhões para o Friboi e essas propagandas são só a fachada pra arrecadar dinheiro de caixa 2pra campanha.

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    1. Infelizmente mais uma pessoa que prefere ofender ao argumentar racionalmente. Um sinal claro de que pouco sabe o que está falando.

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    2. Se fosse assim os vídeos de receitas veganas teriam comercial de fralda antes e não da friboi. Impressionante como antes de cada vídeo relacionado ao veganismo ou vegetarianos aparece lá o toni ramos e aqueles bixos mortos! Tem coisa aeeee!!

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  2. Camilinha, esse assunto sempre vai ser polêmico. Da minha experiência pessoal eu posso dizer que deixar de comer carne completamente não é fácil. Mas dá pra reduzir muito e isso é uma questão de hábito. Hj acho que consumimos metade do que há uns anos atrás em casa. E pra mim a transição está sendo gradual (carne de boi eu fico sem de boa, mas de frango e peixe não). E não vou proibir ningupem de comer. se quiser que cozinhe por conta própria. Mas deixar de comer ovo e leite (derivados) já é bem mais complicado, acho que nunca vou chegar nesse ponto.

    O que eu acho que assusta no discurso vegetariano/vegano de muitas pessoas é achar que por essa opção elas são serem superiores e muito evoluídos ( veja: http://sindromemm.blogspot.com.br/2014/02/a-minha-presenca-destroi-o-planeta-sua.html
    e
    http://sindromemm.blogspot.com.br/2014/02/pastel-de-etica-ou-de-carne.html).

    E por fim, esses dias vi uma palestra da monja Coen, em certo momento ela fala sobre as experiêcias de vegetarianismo dela e sobre não criar "muros" através disso. Veja pq a palestra toda vale a pena:

    http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CDYQtwIwAQ&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DcZin65XT7_4&ei=8jcPU_qxHtHwkQeT14DICg&usg=AFQjCNHr_rjfBhrvMXP3iTLeCJNOtFnAog&sig2=Yof5qGdq6I0UwapfMziClA&bvm=bv.61965928,d.eW0

    Já vi algumas pessoas próximas falando não vou comer tal alimento industrialzado porque essa variedade tem leite (mas come a outra sem leite). Eu não comeria simplesmente por ser um negócio cheio de gordura e conservante. Ou seja, não adianta achar que está abafando por não tomar leite e consumir outras coisas ainda piores.

    Grande beijo!
    Dani

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    1. Oi Dani! Acho que cada um está em um caminho e também concordo com você que muitos veganos e vegetarianos infelizmente se sentem superiores, mas ao mesmo tempo, acho que isso existe em ambos os grupos, pois muitos carnívoros desprezam e ofendem veggies. No fundo, eu acredito sim que o veganismo seja o futuro da humanidade, mas não é porque eu consiga fazê-lo que vou me sentir melhor do que alguém que ainda não se sente preparado. Por exemplo, você é artesã. Isso é muito roots! Você praticamente saiu do sistema, mas eu não consigo ainda chegar no nível que você está. O que quero dizer é que cada pessoa tem algo muito especial, mas todas também têm dificuldades particulares! Para mim, sempre foi fácil comer vegetais e virar vegana não foi sacrificante, mas para outras coisas, preciso de mais tempo. Estamos todos aprendendo nesta Terra! Uns sabem mais matemática, outros mais português e o que podemos fazer é ajudar uns aos outros a passar em ambas as provas. Sobre industrializados, concordo! O veganismo pode se tornar apenas mais uma fatia de mercado do capital, recheado de gordura trans. Espero que o movimento seja consciente o suficiente para não cair nestas armadilhas. Eu sempre reitero que o veganismo é um movimento político e não só uma dieta. Se as pessoas começarem a ver como dieta, aí pode virar mesmo uma sessão de supermercado! Bjs e valeu pelas dicas!

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  3. sem duvida nenhuma nossa consciência precisa de mudança,precisamos quebrar essa `´corrente sangrenta`´ que sacrifica milhões de animais simplesmente pra satisfazer os caprichos de uma `´CULTURA`´´alimentar egoísta e perversa. fica claro com que realmente a industria se preocupa quando gasta milhões com ´´tais`´ incentivos a crueldade. mas podemos dizer que milhares tem despertado e mudado pra melhor seus hábitos alimentares, isso é sinal que o nosso trabalho( Veganos e Vegetarianos)tem alcançado seu objetivo. nossos `´GRITOS`´ continuarão fortes em favor da causa dos nossos melhores amigos,os animais.

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  4. Veganos são como melancias: Verdes por fora, mas vermelhos por dentro.

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  5. Impressionante, Camila, como esse texto gerou uma repercussão que pode ser vista inclusive nos comentários. Alguns anônimos, que provavelmente têm medo do vegetarianismo, nem sequer citaram seus verdadeiros nomes e se utilizaram de mecanismos como o humor e a agressividade para esconder de si mesmos o contato verdadeiro com o conteúdo desse artigo. Parabéns. Beijos, Débora

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    1. Gratidão pelo comentário! Espero que este texto possa fazer mais gente pensar sobre suas contradições internas e quem sabe mudar sua alimentação! Beijos!

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  6. Parabéns pelo texto Camilinha...

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  7. Parabéns pelo texto Camilinha... O texto toca em um ponto bem difícil: o medo de mudar. O medo de enxergarmos que toda aquela nossa socialização primária e secundária, era tudo uma fachada: nunca nos contam os bastidores. Sem querer eu virei vegetariano (desde inicio de 2007), eu procurava textos contra, mas as vivências pelo Brasil, toda aquela exploração que queríamos combater em nossas discussões (erebianas, enebianas) mostraram para mim que havia uma contradição em minhas atitudes, a começar pelo prato. Nunca quis ser um vegano (fato!!) e sem querer, mais uma vez, há um ano estou praticamente um vegano, tipo uns 95% ehhe. Coisas da vida, fazemos de nossas brigas um abrigo...abraços

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    1. Legal, Catapora e gratidão! Concordo com tudo! Eu acho que muitas pessoas vão descobrindo aos poucos sobre seus hábitos contraditórios. É importante saber que é um processo. Comigo também foi, com meu marido, com meus amigos e irmãos. Não é de uma vez, mas quando vamos descobrindo, vamos nos mudando e depois que olhamos para trás e vemos todas as nossas vitórias internas (nossas batalhas), nós nos sentimos bem em saber que vencemos a nós mesmos! Força! Abraços.

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  8. Eu achei engraçado como você dá um tom politizado, dando a entender que se trate de um movimento social de protesto ou coisa parecida, quando no fundo se trata da escolha de um estilo de vida. Se é mais saudável ou não, isso é outra discussão.
    Concordo com você quando diz que o vegetarianismo cresceu e é reconhecido pela sociedade, caso contrário não iriam se tornar motivo de chacota como bem assinala no filme. Mas você exagera quando diz que há uma conspiração contra os vegetarianos.
    Errou feio, mas muito rude, quando disse que o vegetarianismo abalaria as bases do capitalismo e da "exploração" animal. O capital é a base do capitalismo, não a carne.

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    1. Não errei feio, pois se feito corretamente (de maneira politizada e consciente e não apenas como estilo de vida, como você mesmo diz) o veganismo pode sim arruinar as bases do capitalismo. Isso porque, apesar do capital ser base do capitalismo, o capital só existe porque é imaginado e gerado por pessoas. Se estas pessoas - que imaginam e põem em prática o capital - conseguirem vencer a lógica capitalista de suas mentes, partindo para uma visão mais humanitária da vida, aí então, minha amiga (ou amigo), o capital não existe mais. E um dos modos mais eficientes de acabar com a lógica mental do capital é dizimar nosso desejo de violência para com o próximo e isso pode se dar através do veganismo. O capital é só uma ideia. Quem gera ideias são pessoas. É possível que tenha sido você que errou feio e muito rude ao considerar que a base do capitalismo é o capital. Esqueceu-se da base ainda mais primordial: as pessoas que criam esta ideologia. Muda-se as pessoas, muda-se o sistema. Paz!

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    2. Gosto de ver sua convicção de achar que o veganismo irá mudar o mundo. Mas não, eu não errei quando disse que o capital é a base do capitalismo. E não, o capital não é uma ideia - ela existe empiricamente, mesmo que não tenha forma visível a olho nu. Só pode ser depreendido através de uma abstração. Talvez por isso você a considere uma ideia.
      O que define a lógica do capitalismo é a base material. Assim como todas as lógicas de qualquer modo de produção que um dia existiu ou existirá na história. Não é uma experiência de confraternização que irá mudar isso. Nunca seremos mais do que somos.
      E qual a nossa base material? O mundo da mercadoria. A carne é apenas uma entre milhões de mercadorias. Quando se deixa de comer carne para comer salada apenas está trocando uma mercadoria por outra. Em nada isso abala o capitalismo.

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    3. Você tem razão ao dizer que todas as lógicas que existiram e existirão tem por base a matéria, mas o que modifica esta matéria em produtos ou em uma determinada lógica de produção é o ser humano. É dele que surge a lógica de produção. A questão que parece estar em discussão não é se eu entendo ou não de marxismo, mas o fato de que você crê que o ser humano é imutável em sua natureza, afinal você mesmo disse: "nunca seremos mais do que somos". O que somos para você? Enquanto você não responde, eu suponho que você acredite que somos um produto da evolução darwiniana movido a recompensa e punição, lógica que vigora nas ciências atuais, fruto da filosofia materialista. Dentro desta lógica há certas pessoas que acreditam que a nossa natureza primordial de territorialismo, guerra entre machos e acúmulo de fêmeas (a origem da guerra é o sexo, alguns dizem) é o que nos move hoje. O problema desta visão é que ela é enviesada pelas ideologias territorialistas desta época e do passado que movem o patriarcado. O que quero dizer é que nós vemos o mundo e interpretamos nossa natureza baseados na ideologia de uma época e como nossas sociedades sempre se basearam em guerra e violência, nós generalizamos a natureza humana para uma natureza violenta. Isso não quer dizer que esta seja a única possibilidade de comportamento (se você acredita que não podemos mudar, acho difícil que esta discussão acabe em um consenso, pois partimos de pressupostos diferentes).
      No mais, acredito que se as pessoas mudarem sua lógica de comportamento, elas mudam também suas ações e portanto mudam o modo como gerem a matéria (a lógica de produção, então, se transforma). Mas, eu não acho que o veganismo é a pílula mágica para mudar esta natureza. Eu acredito que o veganismo é parte do processo. Por quê? Porque quando você se força a não matar e torturar outros seres vivos por prazer, você começa a mudar o modo como reage a matéria que o envolta e começa a interpretar o mundo de uma maneira menos violenta. Ademais, você entende melhor como funciona o capital. Mas não basta ficar nisto! É preciso continuar o processo de mudança. Não é só parar de comer carne, mas boicotar todo um sistema e criar unidades paralelas. Para mim, o veganismo é um dos melhores métodos para se acabar com a lógica de violência que existe dentro de cada um. Por quê? Porque ele é um boicote universal (nem para todo vegano, infelizmente). Ser vegano é boicotar uma série de produtos e lógicas deste sistema. Muitos veganos começam a "ser forçados" a criar seu alimento em hortas, trocar artesanato, modificar seu sustento e tudo apenas porque um dia decidiram parar de comer derivados. Isto é um começo para criar a sociedade paralela.
      O que me parece é que você considera o veganismo como um estilo de vida com pessoas usando piercings e tocando em bandas de hardcore e comendo coxinha de jaca verde. Pode ser que para alguns veganos isso seja verdade. Minha luta vai no sentido de mostrar que este veganismo é alienado e que um veganismo mais engajado é possível. O veganismo é muito mais poderoso do que se pensa, mas deve ser entendido como movimento político, não como um setor ecológico do capital. Acredito que quando as pessoas começarem a entender melhor o quão poderoso o veganismo é, como movimento político, a mudança começará a acontecer. Entretanto, concordarei com você de que o veganismo não será nada, se este se tornar apenas mais uma sessão de supermercado, com pessoas indo a feiras para comer pizza de tofu. Paz!

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  9. Victor Shin05/03/2014 20:17

    Olá, sou o anônimo de cima. Creio que te devo desculpas. Fui arrogante e rude nas minhas colocações.
    Por um momento na leitura de seu texto, quase me deixei envolver com o seu entusiasmo. Não fui irônico quando disse que gosto da sua convicção.
    Você me perguntou o que somos - pois nós somos tudo aquilo que a vide permite que sejamos. Nada mais, nada menos. Mas isso permite diversas interpretações.
    Não sou tão otimista como você, sobretudo quando se trata dos homens. Talvez a nossa principal diferença seja mais isto, e menos os pressupostos dos quais partimos.
    Quanto mais estudo, menos fé eu tenho. Mas você acredita em algo que te dá possibilidades e um raio de ação. Isto é realmente invejável.
    No demais, parabenizo você pelo blog. Posso não concordar com seu texto, mas foi interessante o bastante para eu ler até o final e ainda querer confrontar ideias. Parabéns.

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    1. Oi Victor! Obrigada pela força e acredito que o mais importante é acreditarmos em nós mesmos. Porque, na realidade, nós não temos muito poder em mudar os outros (apesar das pessoas acharem que têm). Se você acredita que pode mudar e melhorar, isto já é um grande passo, pois é bem difícil lutar contra si mesmo. Acho que como consegui me mudar em muitos aspectos, eu acabei acreditando que os outros podem também. Torço para que um dia as pessoas decidam melhorar e tornar-se mais amáveis. Mas, claro que depende de cada um! Torcendo! Abs,

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  10. Sabe por que as pessoas se ofendem tanto com os vegans? Simplesmente por que ficam com medo só de pensar na possibilidade de ter que parar de comer carne e seus derivados, ou seja, de fazer uma mudança. Uma coisa é confessar que tem dificuldades em parar de consumir carne, frango, peixe e derivados 100%, isso é completamente compreensível, mas outra é responder de forma agressiva e atacar aos vegans. É puro medo de mudar e ver a realidade assassina que vivemos e financiamos.

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