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O Ativismo Além do Simples Veganismo

Por: Camila Arvoredo

Tornar-se vegano é uma verdadeira revolução em nossas vidas e para o mundo
como forma de protesto não violento, mas até que ponto os próprios veganos
entendem a profundidade deste movimento? Fonte:
OnegreenPlanet.
O veganismo é um movimento que vai além de qualquer tipo de dieta. Geralmente ele é descrito como uma forma de vegetarianismo estrito, em que seus adeptos não se alimentam de nenhum tipo de derivado animal.  Soa até desagradável colocar o veganismo como uma espécie de restrição, algo estrito, como dizem, algo muito radical, esquecendo que ele não se trata apenas de alimentação, mas de um movimento que luta pela libertação dos animais de qualquer tipo de exploração humana. Neste caso, não basta parar de comer derivados animais, mas de parar de consumir objetos com matérias-primas de animais, como couro e peles, ou produtos que não contenham seus derivados, mas os explorem de alguma forma, como produtos que utilizaram testes em animais, de cosméticos e remédios a produtos de limpeza.

Tornar-se vegano é uma revolução interior, que alimenta o espírito e nos
torna mais fortes. Na foto: Por que vegan? Porque nutrir a alma é mais
satisfatório que alimentar o estômago. Fonte: O'Vegan-Saving lifes.
Sendo assim, ser vegano vai além de uma simples dieta. Até aí, a maioria daqueles que segue o movimento já conhece bem as ações que devem realizar para ao menos diminuir a exploração animal, através da diminuição da demanda de produtos. O problema é que, quando se se torna vegano, muitos não se dão conta de que o veganismo vai além dele mesmo e de ações voltadas primariamente aos animais.

O veganismo nos traz força e esperança. Fonte: Just-eat
Tornei-me vegana há seis meses e depois disto ter acontecido muitas coisas mudaram em minha vida. Primeiramente, percebi que ser lacto-ovo-vegetariana é quase um paraíso de facilidade perto do veganismo, pois quase tudo em nosso mundo contém ovo ou leite ou mel ou qualquer outro derivado animal. Aliás, não pára por aí: quando fui notar, percebi que muitas de minhas roupas continham lã ou couro; ou que os produtos de limpeza ou cosméticos foram testados em animais ou continham algum derivado. Assim, foi uma revolução, que mudou totalmente meus hábitos, mas que me fez ver o poder que este movimento possui. Sou apenas uma que deixou de consumir de toda uma indústria de violência, mas juntei-me a milhões, que hoje fizeram a demanda por leite nos EUA, cair tanto que gerou crise econômica para o setor. Isso é muito bonito, pois não se trata simplesmente de pedir para que um governante mude ou crie um projeto, mas trata-se de mudar a si mesmo para mudar o mundo, sem violência alguma, mas muito pelo contrário: com compaixão total.

O veganismo é um movimento profundo que engloba o
fim da violência contra todos os seres. Na foto: para acabar
com a opressão de um (sexismo, racismo, classismo, especismo)
nós devemos ir contra a opressão de todos. Fonte:
Tumblr
Apesar deste poder, a maioria dos veganos não consegue ver que este movimento tem um poder que vai ainda mais além da esfera animal! Lutar pelo fim da exploração animal e, consequentemente, contra a violência está ligada a toda uma luta contra a violência em geral, o que começa a clarificar que violentar um animal está igualmente ligado a violentar uma mulher, a agredir um homossexual, a descriminar por racismo ou a explorar pessoas por trabalho escravo.
Estudos correlacionam a violência contra animais domésticos a violência contra mulheres e crianças (ver DeGue & DiLillo, 2009; McPhedran, 2009). Sendo assim, é comum que a violência contra animais – seres considerados juridicamente impotentes ou quase inexistentes – esteja ligada a violência contra a mulher, idosos ou crianças – indivíduos considerados abaixo da hierarquia de poder na maioria das sociedades. Atualmente existem até estudos que relacionam o machismo ao consumo de carne, já que ambos estariam relacionados à exploração e uso da violência contra seres considerados subalternos ao macho humano (ver Carol J. Adams – A política sexual da carne, a relação entre o carnivorismo e a dominância masculina). 

Em "A política sexual da carne" Adams correlaciona o consumo de carne
à opressão contra a mulher. Fonte: Psicoisas.
Infelizmente, mesmo que exista de fato uma correlação entre machismo, racismo, homofobia e outras formas de agressão com o carnivorismo, os próprios veganos utilizam-se de estratégias negativas e agressivas para chamar a atenção do público carnívoro para o problema da carne. Assim, instituições como PETA e Move usam de publicidade que explora o corpo feminino, das mais variadas formas possíveis, para atrair a visão, possivelmente, de homens sedentos por carne (nos dois sentidos). Na publicidade é muito comum utilizar o corpo da mulher para vender. Este setor está ligado comumente aos interesses de pessoas irresponsáveis e que na maioria das vezes, prefere destruir países inteiros, somente por saber que haverá uma ilha ou mesmo outro planeta para fugirem com seu dinheiro sujo. 

Veganos às vezes utilizam a exploração do corpo da mulher para atrair a
 atenção para a causa animal, sem se dar conta de que a estratégia é
pouco efetiva e fortalece a violência contra a qual lutam. Na foto:
Vegetarianos são mais saborosos. Fonte: VeganBodyRevolution.
Não me surpreende o uso de violência para gerar violência, porém é surpreendente ver veganos utilizando formas de exploração para acabar com a exploração. Isto não pode funcionar! Não adianta tentar libertar os animais, mas não libertar igualmente as mulheres, os idosos, os homossexuais, os negros, índios e outros da exploração do mais forte. Afinal, a submissão do mais fraco ao mais forte é uma lógica que está implícita em todas estas formas de violência! Ademais, será impossível acabar com a exploração animal quando a lógica de poder ainda vigora.

A PETA é uma das principais organizações envolvidas no
uso de corpos femininos para atrair a atenção do público. Na foto:
coma verde, seja vegetariano. Fonte: Andajor.
Assim, o que gostaria de dizer neste texto é que o veganismo vai além do próprio veganismo! Ser vegano não é apenas boicotar a exploração animal, mas boicotar comportamentos preconceituosos! Imagine ser um vegano e ir ao prostíbulo! Imagine ser um vegano e ser contra casamento inter-racial ou homossexual! Imagine ser vegano e não ser vegano? Pois bem, pessoas que são machistas, homofóbicas, racistas, violentas ou mesmo que boicotam um hambúrguer, mas não sentem a mínima compaixão por outros reinos biológicos, destruindo ecossistemas, a vegetação local e ambientes inteiros, não são verdadeiramente veganas! Não adiantará nada criar um mundo vegetariano em que se vai da mesma maneira ao supermercado, com funcionários cansados e explorados, com cervejas veganas cujas propagandas possuem mulheres sendo tratadas como objeto e com consumismo desenfreado, porém vegan!


Ser vegano é justamente lutar pelas pessoas, pelo planeta
 e pelos animais! Go vegan! Fonte:
Curiosidadesveg
Acho que devemos pensar nisso! Porque todos nós queremos um mundo melhor para todos os animais (inclusive humanos)! O boicote universal já está presente na maioria dos países e cresce a cada dia, mas nunca devemos nos esquecer que lutamos pela libertação de todos os seres vivos! Que ao mesmo tempo que não queremos que uma vaca seja separada de seu filhote e este morto para gerar um baby beef e ela subjugada e maltratada como um objeto para gerar leite, não queremos também que mulheres sejam levadas de seus lares, presas em quartos minúsculos para servir ao tráfico sexual. Não é a mesma coisa? Só a espécie muda! O especismo continua! E não é contra isso que o veganismo mais luta? Vamos repensar nossos atos e a cada dia que acordarmos revejamos o quão somos violentos, afinal ser vegano é boicotar qualquer exploração aos animais, mesmo que este animal seja um Homo sapiens.

Paz!

Referências 
Adams, C. J. A política sexua da carne: a relação entre o carnivorismo e a dominância masculina. Editora Alaúde, 1ª edição, 2012;
DeGuee, S.; Dilillo, D. Is animal cruelty a family flag for family violence? Journal of Interpersonal Violence. 24(6), 1036-56 June, 2009;
McPhedran, S. Animal abuse, family violence and child well-being: A review. Journal of Family Violence. 24(1), 41-52, January, 2009.

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17 comentários :

  1. Esta é a primeira de muitas incoerencias no veganismo que você encontrará. Você ainda está no inicío da sua jornada. Ass: uma ex-vegana.

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    1. Querida Mari! Obrigada por comentar! Apesar de encontrar muitas incoerências, acho difícil, para mim como tal, abandonar o veganismo, pois sei que o boicote é efetivo contra a exploração animal. Entretanto, sim, acho que qualquer movimento político tem problemas! Não me canso de encontrar gente conservadora neste meio, mas, deixando os humanos de lado e suas iras, espero que um dia os animais possam viver suas vidas sem que nós os tomemos como objetos. Abs, Camila.

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    2. Muito atenção a carnistas de carteirinha como a Mari, participante muito ativa de um grupo direitista e conservador do facebook, que sempre tá se armando legítima e ilegitimamente para combater o movimento de libertação animal. Esse tipo de gente vai se utilizar de excelentes textos autocríticos como esse - que promove uma crítica libertária, à esquerda, construtiva e inteligente da esquizofrenia moral comum em algun(a)s vegan@s - para contrabandeá-lo para as forças políticas especistas que desqualificam o movimento de libertação animal.

      Tal comportamento é análogo à aliança demotucana que busca cooptar o espectro das atuais manifestações de rua libertárias e necessariamente à esquerda do PT, justamente na medida em que veêm a oportunidade de desbancarem a própria esquerda, ainda entendida como o governo petista...

      Muita atenção a essas estratégias antilibertárias de especistas e/ou "ex-vegan@s"!

      ass: GUSTAVO NASSAR

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    3. Mari, o ponto central do veganismo não é a busca por coerência. É a busca por um mundo melhor, principalmente para os animais. Uma pessoa que defende a exploração de tudo e de todos é bastante coerente, mas certamente o mundo que ela propõe está longe de ser agradável. Vamos supor que o veganismo tenha mesmo várias incoerências (não acho que tenha, mas...), ainda assim desconheço alternativa melhor. Deixar de ser vegana, ou seja, defender a exploração, tortura, morte e maus tratos de animais é uma opção melhor do que o veganismo? Gostaria que você explicasse isso melhor. Alegar que o veganismo possui incoerências não é, a meu ver, justificativa para deixar de ser vegano. Qualquer outra alternativa me parece ser ainda pior. Ou você sugere algo melhor que o veganismo?

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  2. Concordo com boa parte do texto, mas tenho que discordar quando diz que não faz sentido um vegano ir em prostíbulos. Contanto que as prostitutas não estejam sendo obrigadas, não vejo um problema moral nessa atividade. Pessoas sentem prazer com doces e estão dispostas a pagar confeiteiros que alugam seus corpos para fazer os doces. Sentem prazer com casas maiores e pagarão pedreiros que alugam seus corpos para construí-la. E têm a necessidade fisiológica de fazer sexo, que quando não atendida é fonte de sofrimento para pessoas não-assexuais, e não há nada de errado que paguem para que outras voluntariamente ofereçam esse serviço, se é a forma que escolhem para obter esse prazer. Se o "patriarcado" distorce essa relação, o problema está nele e não no serviço.

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    1. Olá Eliana! A discussão sobre a prostituição já é outro tema. Seria até interessante fazê-lo aqui um dia. Não acho que ninguém tem o direito de julgar alguém pelo que faz e já dizia o grande mestre Jesus que atire a primeira pedra quem nunca pecou. O meu problema com a prostituição, entretanto, não está nas prostitutas ou digamos que considerando seu raciocínio de alúguel de corpos, nos pedreiros ou outros trabalhadores. O meu problema está na lógica de apropriação do corpo humano como objeto de consumo. E sim, você tem razão: todos os vendemos! Com a diferença de que ao invés de vender um pensamento ou trabalho muscular, as prostitutas vendem o sexo. Assim, seria mais coerente se o verdadeiro boicotador (um vegano talvez), nunca comprasse serviços, visto que só assim ele poderia boicotar a exploração humana. Porém, é impossível hoje boicotar tudo, o que nos faz ter que boicotar o que é desnecessário. Eu acredito que comprar sexo seja desnecessário, enquanto que comprar a mão de obra de um pedreiro para construir uma casa, ainda não. É uma espécie de boicote parcial! Mesmo pensando só no veganismo, este é um boicote parcial, porque quase tudo no mundo tem animal, até pneu de carro ou bicicleta! Agora, claro que você talvez não concorde com o fato de prostituição ser um serviço desnecessário, mas quem sabe eu não faço um texto e possamos discutir mais a questão! Bem, vamos lutar então para que o sistema de exploração de humanos em todos os sentidos seja um dia abolido! Quem sabe um dia nem precisemos de dinheiro no mundo e as pessoas dividam tudo! Abs,

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    2. Olá Camila. Gosto muito de debates, por isso corro o risco de ser me alongar um pouco. Vou responder em tópicos. Selecionei algumas coisas que eu acho interessante comentar.

      "O meu problema com a prostituição está na lógica de apropriação do corpo humano como objeto de consumo."

      Não vejo problema algum nisso caso haja um interessado em comprar e um interessado em vender. Se o ato for de comum acordo, não vejo porque interferir ou criticar.

      "E sim, você tem razão: todos os vendemos! Com a diferença de que ao invés de vender um pensamento ou trabalho muscular, as prostitutas vendem o sexo."

      Vejo na sua fala uma forte influência da moral cristã, que criminaliza o sexo enquanto valoriza o trabalho braçal e intelectual. Vivemos numa sociedade onde a sexualidade, principalmente a feminina, sofre um forte controle social. Não vemos problema algum numa pessoa vender o seu tempo dando aula ou lavando o chão, mas há um problema enorme caso a mulher decida se envolver em situações com conotação sexual (propagandas da peta, manifestações com nudismo, prostituição, etc). Sempre vemos as mulheres como coitadinhas ingênuas e submissas, vítimas da exploração sexual dos homens, da sociedade patriarcal, mas isso não é verdade. Não vejo problema algum se uma mulher decidir se prostituir por prazer (existem, e são várias) ou aparecer pelada nos vídeos da PETA. Homens gostam de sexo, mulheres gostam de sexo, e não consigo ver onde está o problema numa mulher aparecer simulando sexo com pepinos, ou de biquíni, ou até mesmos e prostituindo. O erro está em pensar que se uma mulher aparece de biquíni ou mostra interesse em sexo, como prostitutas, automaticamente ela se transforma em objeto. Não é a prostituição que deve ser combatida, mas a mentalidade arcaica que diz que o interesse sexual das mulheres deve ser controlado e que mulheres que se manifestem de determinadas maneiras podem ser, automaticamente, taxadas de objeto. O movimento feminista já é bastante ativo nesse sentido. Se propagandas como as da PETA são efetivas ou não para o veganismo, aí já são outros 500 e uma nova discussão.

      Uma mulher de biquíni numa propaganda não é objeto. O problema é a cultura machista que diz que mulheres peladas em público são e podem ser tratadas como objeto. O problema não está no ato mas sim nos olhos de quem vê.

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    3. Olá Mari! Sem problemas quanto aos textos longos, até porque a missão do blog é justamente levantar a reflexão, então seus comentários são sempre bem-vindos!

      Bem, o grande problema de comprar e vender são as consequências que esta transação pode levar para outros seres que pertencem à sociedade. Existe uma visão de que ser livre é poder fazer tudo que se deseja, mas outra visão da liberdade é aquela em que se age de maneira responsável, de acordo com as possíveis consequências que esta ação poderá causar (visão existencialista). Neste ponto de vista a transação de comprar e vender, mesmo que de espontânea vontade de ambos, não deve ser apenas considerada pelo desejo dos envolvidos, mas também pelas consequências que esta transação pode levar para a sociedade.
      Eu acredito que uma prostituta que venda seu corpo por desejá-lo para um cliente, que o faz livremente também, gera um aumento da anuência social de que a mulher (ou pode ser um prostituto) é um objeto e de que o serviço oferecido é bem-vindo e se o serviço é considerado normal e o sexo um produto, a procura pelo produto aumentará, mesmo que se tenha que traficar seres humanos.
      Para esta prostituta não haverá problema, pois ela quer se prostituir, mas para aquelas provindas do tráfico de seres humanos, isto será um problema, pois o cliente em si, não faz diferença entre os dois tipos e mesmo que pergunte para a prostituta, nunca saberá a verdade, visto que, por medo ou necessidade, elas farão de tudo para mostrar ao cliente que estão lá por que querem.
      Como o ato da prostituta que faz por prazer gera uma consequência negativa para aquela que faz obrigada, este ato de compra e venda seria irresponsável.
      Claro que trabalho escravo existe em todos os setores, mas aí volta na ideia do que boicotar. Já que não podemos boicotar tudo, que boicotemos o que é menos necessário.
      Quanto a visão cristã, eu acredito que o sexo não deva ser considerado uma commodity. Eu acho que nada deveria ser considerado, mas, para mim, há uma complicação para o sexo (tanto para a mulher como para o homem). Eu acredito que o sexo seja um ato de troca de energia e portanto não deve ser realizado como ato banal. Mas isso é uma visão mística e, sendo um dogma, cada um tem o seu, não é?
      Sobre a mulher com pepino e outros, existem pesquisas que mostram que mulheres são desigualmente consideradas como produtos sexuais mais do que homens. Se fossem ambos, poderia até dizer que não há problema, mas como a mulher é mais vista como uma vagina do que o homem somente como um pênis, isto gera um problema de desigualdade de gênero, que gera consequências, hoje complicadíssimas para a mulher. Por exemplo: a visão da mulher mais como objeto do que o homem, gera tal preconceito contra a mulher que em quase todos os países, menos Tailândia, há menos mulheres em altos postos de comando. Mulheres, sendo consideradas mais como vaginas do que como cérebros, têm muita dificuldade de ser levadas a sério quando são cientistas, astronautas, empresárias e outros. E sim, o problema é toda a cultura machista, mas como estamos nela, a mulher de biquíni não é só uma simples mulher de biquíni. Temos que lutar para que a mulher, assim como o homem, possam andar nuas e sem camiseta pelas ruas, sem que ninguém as menospreze com os olhos da sociedade atual. Em breve farei um post sobre prostituição. Acho que dará um belo debate! Abs,

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    4. Oi Camila, respondendo alguns comentários seus:

      Concordo. Mas já respondendo o que vc disse lá na frente, o problema não é no ato da prostituição ou da nudez. O problema está na forma com que a sociedade encara essas atitudes. Ou consertamos a sociedade ou proibimos o ato.
      Essa correlação entre prostituição - mulher objeto, nudez - mulher objeto, é você quem faz. É a nossa sociedade machista quem faz. Essa correlação está tão arraigada na nossa cabeça que parece mais do que evidente que se uma mulher se dispõe a fazer sexo pago, logo ela só pode ser um objeto, e se for tratada como objeto, não pode reclamar. Incorreto. Uma pessoa é sempre uma pessoa, pouco importa se ela está vendendo o cérebro, o braço ou a vagina. Ninguém correlaciona um pedreiro a um objeto. Pq uma prostituta seria um objeto? Pq mulher que faz sexo fora dos padrões tidos como aceitáveis pela nossa sociedade é um objeto? A luta, ao meu ver, deve ser contra essa ideia de objetificar pessoas e não controlar as ações das pessoas para que elas não sejam tratadas como objeto.
      Analogia: São os homens que devem parar de estuprar ou são as mulheres que devem se cuidar mais? São os homens que devem parar de tomar as mulheres como objeto independente do que elas estejam fazendo ou são as mulheres que não devem se submeter a situações onde os homens as tratam como objetos?

      O tráfico de pessoas é mesmo um problema. Devemos lutar contra o tráfico e não contra a prostituição. Tráfico é errado, prostituição não. É como querer acabar com os computadores pq pode ser que quem sabe uma peça desse computador tenha sido fabricada por escravos chineses. É como querer acabar com a agricultura porque pode ser que a sua verdura tenha sido produzida por trabalhadores escravos no Pará.

      "Claro que trabalho escravo existe em todos os setores, mas aí volta na ideia do que boicotar. Já que não podemos boicotar tudo, que boicotemos o que é menos necessário."
      Não vejo porque boicotar prostituição, mas vejo porque boicotar a ideia que pessoas possam ser tratadas como objeto dependendo do que elas estiverem fazendo. Isso pra mim é o que é grave. É tão grave que vai muito além de prostituição. Existe uma gama de situações (99,99% relacionadas a sexo) onde as pessoas acham correto tratar mulher como objeto: sexo casual, roupa curta, nudez, "piriguetes", nudez com conotação sexual (stripper), mulheres que ficam com vários homens, pornografia, etc. Prostituição é só uma das situações.

      "Quanto a visão cristã, eu acredito que o sexo não deva ser considerado uma commodity. Eu acho que nada deveria ser considerado, mas, para mim, há uma complicação para o sexo (tanto para a mulher como para o homem). Eu acredito que o sexo seja um ato de troca de energia e portanto não deve ser realizado como ato banal. Mas isso é uma visão mística e, sendo um dogma, cada um tem o seu, não é?"

      Isso é uma visão pessoal mística e não podemos julgar as pessoas a partir de nossas crenças pessoais, né?

      ...

      Sim, concordo. E eu estou criticando exatamente isso. Mas não são as mulheres que devem mudar para não serem mais tratadas como objeto. O que deve mudar é a mentalidade das pessoas que acham ok tratar mulher como objeto dependendo do que a mulher estiver fazendo.

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    5. Olá Eliana! Bem, como já disse anteriormente eu não acho que devemos julgar ninguém por seus atos, assim não vejo mal em uma prostituta. O ponto forte de sua argumentação é que o problema é que tudo é visto como objeto, seja um braço, uma perna ou uma vagina, portanto o problema é da objetificação do ser humano como um todo e não da prostituição. O problema é que tanto homens como mulheres têm braços, mas o sexo é a diferença entre os gêneros e ele está sendo vendido diferentemente na sociedade. Não se vê por aí prostitutos a rodo, mas muitas mulheres. Para mim, ser a favor da prostituição é afirmar que a vagina é um objeto, muto mais do que é um pênis. Essa desigualdade leva ao aumento da visão de mulher como objeto, pois ela tem um membro a mais do que o homem, sendo visto como tal. Acho que isso cria uma desigualdade. Por fim, nunca disse que julgo mulheres por prostituição ou outros, mas como acredito que tanto o homem como a mulher se prejudicam ao fazer sexo com milhares de pessoas, eu não apoiaria algo na sociedade que consideraria como danoso para outros e não se trata de vender, mas da simples promiscuidade, mesmo que seja totalmente gratuita. Quanto aos outros, cada um faz o que quer. Não vou ficar julgando ninguém por suas escolhas, pois somos todos seres diferentes. Eu faço o que acho certo, mas se a pessoa acha certo se vender ou até sair com centenas ou fazer filme pornô, não tem problema se ela se sente bem assim.
      Por fim, eu acho que não deveria existir prostituição para homens e mulheres (nem pornô ou especulação imobiliária ou de automóveis etc). Mas isso é porque eu acho que estes são serviços que não agregam nada de construtivo na sociedade. Existe até a visão de que a prostituta seria uma espécie de psicóloga do homem, mas para mim, uma sociedade que cria um homem que precisa pagar para obter sexo e carinho é uma sociedade doente, pois ele não consegue bens que deveriam ser gratuitos e dados com amor. De qualquer jeito, se você me convencer que o mercado do sexo beneficia a sociedade, eu possivelmente mude de ideia. Eu não consigo dizer, por exemplo, que uma cientista ou um ecólogo ou uma assistente social gere o mesmo benefício para a sociedade do que uma prostituta, mas acho, por exemplo, que uma sexóloga é super importante, pois ela informa os jovens e diminui o preconceito sexual e de gênero. Mais uma vez, cada um faz o que quer e eu sinto muita revolta de ver homens mexendo com prostitutas como se elas fossem nada (já vi isso acontecer uma vez). Este debate está muito legal, então vou fazer um post sobre a questão esta semana e aí, pelo menos haverá um espaço mais apropriado.

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  3. Adorei o texto, e também suas respostas Camila, muito inteligentes e reflexivas, sou vegana e também as vezes muito radical... Mas tenho tentado passar a mensagem do boicote da exploração animal da melhor forma, mais uma vez parabéns...

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    1. Olá Sonia! Muito obrigada pelo comentário! Fico feliz que possa ajudar na reflexão sobre os problemas do mundo e do veganismo, movimento que acho particularmente muito importante para a libertação, inclusive humana! Abs,

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  4. mais uma vez Ótimo texto camila**, visto que pessoas ainda consideram veganismo como dieta e não se conscientizam do poder que faz no Ser, deixar de alimentar de outros. infelizmente as "pessoas" não consegue captar que denominar-se "Ser racional" e "Ser superior" significa MATAR, explorar, destuir entrou outros termos, os seres "irracionais" e sim cuida-los como seres errantes sem percepção da consequência. Analisando seu belíssimo texto, observamos o individualismo do Homem, quer dizer, "pessoas" que praticam tal liberdade não como alvo "logico racional" e sim, assexuado e impulsional visando lucros. Parabéns pelo seu esforço,argumentos, exemplo... de divulgar, que na minha opinião é uma das formas de salvação de todos os males neste mundo. Espero que poste mais talvez sei lá, alimentos obrigatórios diários para um vegan, já que me iniciei neste mundinho a +- 1,2 semanas***

    Show de bola esse texto**

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    1. Olá! Obrigada por ter gostado do texto! Bem, eu vou em breve fazer um texto sobre isso! Seja bem-vind@ ao veganismo! Nos faz sentir muito bem e faz muita diferença! Abs, Camila.

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  5. Olá camila,

    Penso que o ideal seria não precisarmos de um movimento para fazer parte. Se o bom senso e o amor ao próximo estivesse presente em nosso juízo provavelmente não teríamos nem religiões. Apenas viveríamos nossa vida e respeitaríamos todas as outras formas de vida deste planeta e deste universo. Trilhar esse caminho é uma experiência individual, pra mim é uma motivação interna. E hoje percebo que a melhor propaganda é o exemplo que você dá para seus amigos e família, que são as pessoas mais próximas. Elas serão as maiores impactadas pela sua força de vontade. Não adianta gritar a torto e a direita sobre ideologias. Você precisa ser a mudança e viver bem consigo mesmo. Em pouco tempo as pessoas vão ficar curiosas sobre como a sua vida e a sua saúde mudou tanto e inevitavelmente vão querer saber o que você fez pra mudar. E você não vai precisar replicar nenhuma propaganda, nenhuma frase pronta, vai poder ser simples e sincero e apenas dizer o que pensa. Este é o único momento em que você será ouvido de verdade. Desde que parei de comer animais, observei que muitas pessoas ao meu redor, ou pararam ou estão diminuindo o consumo. Isso é um pequeno passo mas já é alguma coisa.
    Respeito o movimento vegano, mas por experiência própria, deixei os rótulos de lado e sigo apenas a minha própria consciência.

    Parabéns por este espaço de reflexão.
    Pedro

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    Respostas
    1. Olá Pedro, gratidão pelo seu comentário. Muito enriquecedor. Paz!

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  6. Lindo seu texto
    Mais veganismo
    É pelos animais
    Humanos procurem
    Direitos humanos.
    Esse espaço é deles
    Para eles.
    #govegan.

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