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Largando Tudo Para Ajudar Aos Pobres – A História de Quatro Estudantes do Norte

Por: Camila Arvoredo

Zach, Chris, Sean e Ryan decidiram fazer a diferença e mudaram suas vidas para
 uma vila miserável na Guatemala, dispostos a gravar um documentário e ajudar
as pessoas abaixo da linha de pobreza. Fonte: DigBoston
Esta história é emocionante! É a história de quatro jovens norte-americanos de classe média que tinham tudo! Nasceram dentro do sonho de consumo materialista norte-americano e com famílias capazes de manter este sonho; tiveram a chance de estudar nas melhores universidades do mundo e até podiam se calar para a miséria que os cercava, mas apesar de tudo isso, perceberam que alguma coisa estava errada e saíram de sua bolha, para conhecer a realidade da miséria que assola a maior parte da população humana, e foram parar na Guatemala, trazendo apenas a quantidade de dinheiro necessária para viver com R$ 2,00 por dia, como a grande maioria da humanidade.

A iniciativa de Zach, Chris, Sean e Jannah gerou uma associação e um
documentário que conta a vida das pessoas que vivem abaixo da linha
de pobreza na Guatemala. Fonte: AthensTalk
Zach Ingrasci e Chris Temple, Sean Leonard e Hannah Greagg são esses quatro jovens que passaram a viver por 56 dias na aldeia de Pena Blanca, na Guatemala. Sua ideia era dar o exemplo e comprovar que nascer na pobreza é para a maior parte um destino eterno, que passa de geração a geração, sem nenhuma possibilidade de saída, mesmo que com muito esforço.
Seu primeiro desafio? Como conseguir um lugar para morar com apenas dois reais por dia? E como comer? E como dormir? Sem cama? Sem parede? Sem comida e sem água potável? E em caso de doença? Como comprar remédios? Infelizmente, a maioria das pessoas nasce em uma família dentro destas condições: de pais que possuem apenas 2 reais por dia, agora divididos em mais uma pessoa, mal tendo condições de  se manter na escola, pois estão famintos e trabalham desde muito pequenos! Seu tempo é precioso: encher o estômago ou estudar? É assim que mesmo com escolas públicas, crianças de muitos países nem mesmo chegam a freqüentar ou terminar os estudos, pois conseguir alimento é mais importante para a sobrevivência imediata!

Os estudantes resolveram dar o exemplo, única saída para mostrar a
realidade da maior parte da humanidade.
Fonte: Mokasha
Zach e Chris, cursando a faculdade de economia Claremont Mckenna na Califórnia, perceberam que o sistema atual está corroído e é o responsável pela opulência desnecessária de um lado e miséria exorbitante do outro!Mas, não bastava conversar com os amigos! As pessoas estão cheias de idéias e ideologias que mantêm para si desde que as ouviram há muito tempo atrás de seus pais e da mídia! É difícil mostrar por meio de uma teoria que uma pessoa é pobre não porque é vagabunda ou não gosta de trabalhar, não porque gosta de sexo e, idiotas que são, fazem mais filhos do que podem manter (pasmem, já ouvi isso!). Zach e Chris perceberam que deveriam dar o exemplo e mostrar que nascer pobre é um fardo de que, na maioria das vezes, não se pode sair nunca, apesar dos exemplos de alguns poucos,  usados propositalmente para mostrar que pobreza é coisa de gente pouco esforçada (como Silvio Santos, por exemplo)!

Dormir no chão, sem infra-estrutura, sem água e sem alimentos: esta é
a realidade da maioria da humanidade. Fonte: AltosAgitos
Ao chegarem na Guatemala, os estudantes passaram a viver em uma casa abandonada, em uma terra cedida pelos companheiros de miséria. Lá, dormiram no papelão, pois não tinham dinheiro para comprar uma cama ou móveis. Mais tarde, desenvolveram doenças, pela baixa qualidade da água que bebiam e pelas picadas de insetos que recebiam ao dormir no chão. Para comer, não foi possível comprar alimentos e seguiram o exemplo de seus vizinhos: passaram a plantar no terreno baldio dos arredores e dividir o alimento produzido. Notaram que mesmo para plantar, necessitavam de ferramentas e que no dia a dia era impossível se manter com R$ 2,00 por dia e assim recorreram ao microcrédito, única saída para muitas destas pessoas. Ao final foram registrando a vivência do ínício ao fim, registro que se transformou em um documentário, o “Living with one dollar” para mostrar ao mundo como vive a maioria das pessoas no planeta e como mudar isso.

Não entendemos que a maioria das pessoas não têm ao menos dinheiro
para chegar na escola ou ao trabalho. Fonte: Mokasha
Infelizmente não é possível assistir ao filme no Brasil ainda! Entretanto, deixo o trailer para quem se interessar. Além do documentário, os dois estudantes criaram uma associação que ajuda às pessoas miseráveis do Equador a gerar uma fonte de renda através do artesanato.
A história destes estudantes é um dos exemplos mais convincentes para mostrar que a miséria de algumas pessoas, inclusive no Brasil, não é questão de meritocracia. Estudo e força de vontade não são suficientes para a maioria, como comumente ouvimos nas mídias! Não há escola ou força de vontade suficiente quando com quatro ou cinco anos de idade, e desnutridas, estas pessoas já estão trabalhando! E além disso, o conhecimento sobre seu corpo ou conhecimento sexual obviamente não é de acesso a todos, principalmente em países pobres, onde o machismo e medidas autoritárias sobre o comportamento sexual predominam! 

Às vezes é preciso sair de nossas bolhas para perceber a dura realidade,
como fizeram os quatro estudantes. Fonte: Blog do barata
O que eu quero deixar claro aqui é que costumamos nos fechar em nosso mundo sem se perguntar se existirão outros mundos completamente diferentes. É fácil julgar ou mendigo, uma prostituta, um famigerado e pedinte! Nascer na cidade é uma coisa e são tantas as bolhas e nos fechamos tanto que às vezes é mais fácil julgar e odiar do que compreender! Saindo desta ilusão descobrimos que a maioria das pessoas no mundo não nasce perto de escolas e não têm meios para acessá-las! A maioria não têm água potável e alimento suficiente; a maioria não têm terra para plantar a comida e sua única chance de sobrevivência é recorrer a regimes de trabalho escravo ou lutar pelos seus direitos até que a morte os separem (omo fazem índios e sem-terra)!

Microcrédito e outras soluções paliativas, apesar de
contraditórias, ainda são, infelizmente, a saída para
muitas pessoas abaixo da linha de pobreza.
Fonte: Caixa
Eu fico muito triste quando vejo tantas pessoas de classe média ou mesmo mais pobres, que nasceram na cidade, dizendo que o “Bolsa família” ou outros meios paliativos são formas de alimentar vagabundo! Eu, como vocês já devem ter notando pelo blog, sou apartidária, mas resolvi falar desta questão porque às vezes, recorrer a alguns reais ou a formas de microcrédito é a única solução para estas pessoas! É preciso sair de nosso mundo pequenino! Nós vamos ao supermercado e nem precisamos plantar nossa comida!  Nós recebemos água potável da torneira e nem precisamos nos preocupar em pegar água de uma bica ou de esperar a chuva para beber! Nós não precisamos nos preocupar, todos os dias, se o “dono” do pedaço de terra que eu montei meu barraco, vai querer o terreno de volta, quando este valorizar, para construir um shopping! E sem deixar de citar a violência doméstica que assola milhões de mulheres todos os dias! São estas mulheres, que apanham e que muitas vezes são estupradas por seus maridos, que sustentam o lar, que acordam cedo para conseguir água e comida, que se desesperam quando os maridos chegam em casa bêbados.

O documentário dos estudantes tentou dar o exemplo para ir além da manipulação
 midiática. Fonte: BusinessInsider
No jornal nós ouvimos que “Sem terras”, “Sem tetos” e índios estão invadindo a terra e são violentos! No jornal, ouvimos que as mulheres merecem apanhar quando voltam para seus maridos que as espancaram! Nós concordamos sempre com a cabeça e nunca paramos para pensar como é o mundo destas pessoas! Em que condição nasceram! Como fazem para comer e viver!
Claro que o importante não é ficar apenas falando sobre os problemas, mas lutar por soluções! Como Zach, Sean, Hannah e Chris, no Brasil são muitas as pessoas que se movem para mudar a realidade! Isto é fazer política! Mudar os arredores, movimentar-se!

Deixo abaixo o trailer para gerar uma grande inspiração e mostrar que existe esperança sim, nas pessoas, afinal de contas! Expandindo nossa consciência e saindo de nosso mundo, podemos tentar nos colocar no lugar dos outros! Ter mais compaixão e tentar entender antes de julgar! Com nossa força, o mundo um dia  será de todos e não apenas de alguns! Se não há mais julgamento, só pode haver compaixão e aí agiremos em prol do bem da humanidade!

Trailer "Living on one dollar" - com legenda abaixo

Legenda
Filmando, filmando
Eu li sobre pobreza a minha vida inteira na mídia e escola / "Quatro amigos" / "Embarcaram numa jornada" / "Para a pobreza" / Estou suando como um louco / Eu acho que está suando porque está muito quente lá dentro / Eu estou nervoso, nervosíssimo / "O projeto: viver com um dólar por dia por 56 dias" / Como é viver cada dia, esperando ter apenas um dólar por dia? / Quanto custa isto? / 8 quetzales ($1) / Consegui água / Uma fonte de água ruim / Leva cinco horas para cozinhar feijão e eles ainda estão duros. Isto é bem chato / "1.1 bilhões de pessoas vivem com um dólar por dia" / Nós somos pobres e continuamos a ser pobres / 3600 calorias para quase quatro pessoas não é bom para uma dieta diária / Vocês todos têm estas pulgas / Eu não posso dormir outra noite deste jeito / Não é devido a preguiça que alguém é pobre. Não é devido a falta de ambição ou inteligência. É porque eles não possuem coisas que nos dão vantagens todos os dias / "Este outono" / "Experimente uma jornada de oito semanas" / Nós vamos voltar agora / Vamos sair, vamos sair. / Isto é totalmente ilegal! / "De quatro amigos procurando por respostas" / Por que você quer aprender espanhol? / Porque quero encontrar um trabalho / Coisas como esta acontecem tipo uma vez por dia / Esta vida é incrivelmente, totalmente difícil / Cada indivíduo pode afetar e ajudar um outro único indivíduo e nós podemos mudar o mundo. / "Rumo à pobreza: vivendo com um dólar." / "Em breve".

Para saber mais sobre a associação:
Living on one

Paz!

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