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Trabalhar Para Quê?


Por: Camila Arvoredo

Imagem do filme "Tempos Modernos"de
Charles Chaplin. Ainda não estamos nele?
Fonte: IBahia
Era domingo, quase nove horas da noite, e uma caixa de supermercado da fila do caixa rápido, cheia de olheiras, olha para mim e diz: é para isso que eu ganho, para ser desrespeitada! Antes que eu chegasse, ela já havia colocado uma placa indicando que o caixa fechara, mas o supervisor, fazendo vista grossa, continuou a chamar clientes pelo rádio, desrespeitando seu horário de serviço.
Percebendo a situação, fiquei com uma vontade imensa de lhe dizer: saia daí, não se deixe desrespeitar! Se todos negassem trabalhar como escravos, eles teriam que melhorar as condições de trabalho! Mas como falar isso? É claro que ela estava lá por alguma razão: filhos, netos, comida! Não dá para simplesmente chegar para uma caixa de supermercado e lhe dizer para sair de seu emprego escravo mal pago! Às vezes a única opção para a pessoa é essa!
Fora este acontecimento, recentemente me fizeram uma proposta de trabalho mal pago de 44 horas semanais e revoltada me perguntei o porquê de termos que trabalhar tanto e nos sujeitarmos a condições tão degradantes!

Empregos mal-pagos e degradantes são às vezes
a única opção. Haverá uma saída para este sistema?
Fonte: Erestpinda
Trabalhamos porque precisamos nos alimentar, pagar impostos, pagar contas de luz, água, gás. Precisamos pagar a gasolina para ir ao trabalho, precisamos comprar um carro para ir ao trabalho e precisamos de uma casa, de móveis, de cosméticos, de alimentos congelados, enfim!
Analisando todas estas demandas, notei que a maioria delas é desnecessária e algumas substituíveis por soluções mais baratas.
Por exemplo, se tivéssemos uma casa – e de fato precisamos trabalhar para ter uma – poderíamos remodelá-la de tal maneira que cortaríamos grande parte dos custos.

Hortas nas paredes ou no teto economizam parte do dinheiro
que necessitamos ganhar. Fonte: Mais Arquitetura
Se fizéssemos uma horta, por exemplo, com temperos como cebolinha, salsinha e coentro e saladas, como almeirão e alface, diminuiríamos a despesa com alimentos. Aqueles mais familiarizados ou que gostam de aprender a mexer em horta poderiam, inclusive, plantar tomates, abobrinha, chuchu, abóbora, jiló e vários legumes. E não é preciso muito espaço, pois uma horta vertical bem estruturada dá conta do recado.
 Se tivéssemos frutíferas nas ruas ou plantássemos em frente de casa ou em um espaço público qualquer, poderíamos colher mexerica, amora, jabuticaba, manga, banana e jaca e dentro de casa poderíamos plantar maracujá, que ocupa pouco espaço. Só com esses alimentos já economizaríamos uma grande quantidade de dinheiro e de saúde, pois nada possuiria agrotóxicos.

Ocupar espaços públicos abandonados também é uma boa
opção para a falta de espaço. Frutiferas podem ser plantadas,
tendo, muitas vezes apoio da Prefeitura.
Fonte: Horta e Arte Coletiva
Pois bem, há mais! Existindo uma árvore de juá ou horta de chá verde por perto, poderíamos substituir a pasta de dente, fazendo pó dental. Ambos são ótimos limpadores de dentes e substituem bem a pasta, que, aliás, possui flúor, que não faz tão bem para a saúde como as propagandas dizem. Os xampus e condicionadores comerciais podem ser abolidos por técnicas “No-poo”, que abolem totalmente os xampus comerciais, por conterem uma série de tóxicos. As roupas podem ser remendadas e trocadas com amigos e quando há realmente a necessidade de comprar, brechós são ótimas opções de redução de custo, além de serem ecológicos.
Por fim, há uma série de produtos de limpeza que podem ser substituídos por opções mais ecológicas e caseiras e alguns que duram bem mais, economizando dinheiro.
Bem, mas e o gás, a água e a luz?
Atualmente, coletores de água da chuva podem ser instalados em uma residência, economizando grande quantidade de água. Aquecedores solares de água podem ser feitos com embalagens, ajudando a economizar luz ou gás e o gás do fogão pode ser economizado pelo uso de fornos solares.

Forno solar feito com material reciclado.
Fonte: NelsonAvelar Permacultura
Com toda essa economia, salários altos são somente necessários para criar condições para desenvolver um ambiente assim, mas depois de desenvolvido, não é preciso muito dinheiro para manter uma pessoa ou família, o que eliminará a necessidade de se sujeitar a empregos escravocratas, aumentando a opção do trabalhador, inclusive, por empregos mais próximos de sua residência. Trabalhando perto economizar-se-ia gasolina, senão levaria a sua abolição, pois a bicicleta pode ser utilizada como substituto. Além disso, trabalhar perto permite almoçar em casa, economizando ainda mais.

Muito daquilo que achamos precisar é, na verdade, desnecessário.
Fonte: Cultura Mix
Não estou dizendo que as caixas de supermercado ou outros trabalhadores semi-escravos poderão remodelar suas vidas com essas opções. Apenas coloco aqui que existem alternativas atuais que mostram claramente que a necessidade de trabalhos exaustivos, bem-pagos ou mal-pagos, não é necessária.
Atualmente, todos querem ganhar mais e mais! Todos querem o que todos têm. Mas, o que todos têm é na maioria das vezes inútil! Celulares, ultra computadores cada vez menores, comida congelada, delivery de alimentos, restaurantes fast-food, contas caras de água, luz e telefone, roupas de marca, sapatos finos, enfim, são objetos que só existem porque críamos uma estrutura tal, em nossa sociedade, que nos fez necessitar de opções que economizem tempo, para termos cada vez mais tempo para trabalhar, o qual nos dá dinheiro para comprarmos coisas que economizem tempo. Além disso, muitas vezes usamos marcas e temos os últimos modelos não por necessidade, mas apenas por pressão social, das pessoas com as quais convivemos. Queremos fazer parte do grupo, afinal de contas.

As necessidades inexistentes nos fazem trabalhar mais e
mais e o trabalho árduo nos faz aderir mais e mais a
essas necessidades. Fonte: Sítio Curupira
De fato, entramos em um verdadeiro ciclo vicioso e por conta desta necessidade inexistente, muitos se deixam explorar e muitos exploram, criando mais trabalhos escravos, que levam pessoas a escolhê-los porque, mais uma vez, não têm escolha de optar por algo que vá além do trabalho.
Se as caixas de supermercado não podem, pelo menos aconselho a quem possa de ir criando pouco a pouco esta estrutura. De ir-se livrando de concepções errôneas sobre a vida. Trabalhamos para viver e não vivemos para trabalhar, mas aparentemente a nossa sociedade se estruturou de tal maneira em que realmente vivemos para trabalhar.
Se trabalhamos para comprar e pagar aquilo que podemos obter da natureza e aquilo que é inútil, por que não paramos de trabalhar? Trabalhemos para criar condições aos outros de também viverem bem! Não trabalhemos para gerar mais consumo inútil, destruição ambiental e para pagar aquilo que é de todos! 

Em breve publicaremos mais posts sobre no-poo, flúor e pasta de dentes, fornos solares e aquecedores solares artesanais e produtos de limpeza ecológicos caseiros para ajudá-los nesta tarefa.

Até breve!

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3 comentários :

  1. Muito bom! Como não tenho quintal eu planto temperos em vasos na varanda, e morangos também. é o que posso fazer no momento... já é alguma coisa... e já economizo também.

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  2. Adorei as dicas! O que faço no momento, por não ter quintal, é plantar temperos em vasinhos, e morangos também. já é um começo! Abraço

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  3. Olá Ellen!
    Lega que você procura fazer sua própria horta! Eu também vou tentando fazer a minha crescer! Acho que se nos informarmos e tentarmos, tem muitas maneiras de economizar e viver uma vida mais saudável! Abs, Camila.

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