sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Cálice e a Espada: Quando a humanidade se Chama Homem


Por: Pensadora

Nymphe enlevée par un faune (Ninfa
sequestrada por fauno)
,

1860, de Alexandre Cabanel
Um dia me confrontei com a seguinte questão: por que homem é sinônimo de humanidade? Toda vez que ouvia a palavra homem, sendo utilizada com este significado, algo faltava e me sentia mal. Isso porque a palavra homem me fazia imaginar uma humanidade cheia de homens e eu não encontrava lugar para as mulheres nessa humanidade. Curiosidade é que em francês, homem também é sinônimo de humanidade, mas mais peculiar é o fato de não existir a expressão “direitos humanos” nesta língua. Em francês, “direitos humanos” se escreve “droit de l’homme”.
De fato, nós aprendemos que a humanidade é mais homem, afinal a maioria dos inventores, cientistas, filósofos, escritores, músicos, artistas e gênios de todas as áreas foram homens e mesmo considerando a existência de algumas mulheres na história, quem aprende sobre elas?
Buscando explicação para esta ausência feminina, logo cheguei à conclusão de que as mulheres estariam ausentes por terem sido duramente reprimidas. Aliás, colhi argumentos biológicos que afirmavam ser a fêmea sempre dominada pelo macho, raras exceções, e que sempre foi assim e talvez sempre será!
Não me contentei com a explicação. Pesquisando, encontrei um livro maravilhoso e surpreendente de uma grande arqueóloga dos tempos atuais, Riane Eisler. Eisler, em sua vasta obra, não apenas não se convenceu da superioridade biológica do macho, encontrando provas de que nem sempre foi assim, como utilizou essas novas evidências para mostrar que o único caminho para uma sociedade igualitária é pela igualdade entre os sexos.
Em seus achados, Eisler mostra que civilizações anteriores ao período da Antiguidade Clássica (aquele período em que aprendemos começar a história), civilizações avançadas governadas por mulheres, reinavam. Além disso, ela vai mais longe, afirmando que essas civilizações, ao contrário do que se afirma, não oprimiam o sexo masculino, mas mantinham com ele, uma relação não-hierárquica.
Interessante que os dados apontados em seu livro, não só quebram de vez a concepção sócio-biologista da superioridade do macho, como quebram a concepção de que sociedades não-hierárquicas são impossíveis, porque nunca aconteceu na história.
Assim, eu indico a leitura fabulosa deste livro, não só para aqueles que perceberam que apenas a história do homem nos é contada, como para aqueles que procuram exemplos de sociedades não-hierárquicas bem sucedidas.
Livro "O cálice e a espada" de
Riane Eisler
Apesar de prosperarem por milênios, essas sociedades acabaram por ser destruídas por invasões de povos belicosos provindos do Norte. Foi nesse momento que as concepções de superioridade da força e da guerra passaram a prosperar e que tudo na natureza foi transformado em macho. É a partir daí que aprendemos a história, sendo tudo que existiu antes considerado como Pré-história.
Leia o livro de Riane Eisler, “O cálice e a espada” para saber mais. Um dos livros que mais modificaram meu modo de pensar e que me deram esperança de que um mundo melhor foi e será possível.
O cálice e a espada – Riane Eisler, Harper Collins San Francisco, 1987.
Para saber mais sobre a autora e suas obras: http://pt.wikipedia.org/wiki/Riane_Eisler





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