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A Revolução Da Colher

Por: Camila Gomes Victorino



 
Mais colheres e menos armas.
Fonte: VrindaGaruja
Quem diria que uma colher pode colaborar para um ato tão grande quanto mudar o mundo? Até hoje, as pessoas acreditam que o objeto mais importante em uma revolução seja uma arma, mas cada vez mais pessoas começam a perceber que a colher não só é mais importante, como é até antagônica ao armamento, isso porque enquanto a arma mata e obriga alguém a fazer o que não quer, a colher é somente usada em um ato consciente, sem coerção pela força, o que a transforma em um importante objeto dos movimentos de não-violência.
Mas, como assim uma colher pode trazer tantas mudanças para a sociedade, a ponto de transformar o mundo em um lugar melhor? Bem, apesar de ser apenas uma colher, ela leva à boca o alimento e nos faz pensar sobre o que e de onde vem o que comemos. Assim, se o ato de se alimentar é uma das ações mais freqüentes e importantes para a sobrevivência humana, passar a pensar no que se come é um verdadeiro ato revolucionário, pois a partir do momento em que as pessoas perceberem que a violência gera violência, elas perceberão também que não querem mais um sistema que produza alimentos violentos. E então, tudo muda!

O mundo só será de todos, quando for realmente de todos. Fonte: YogaBazar
No começo, você olha para o seu prato e se pergunta como aquele alimento veio parar ali: temos arroz, feijão, um bife, um ovo frito e uma folha de alface. Os vegetais foram produzidos em uma monocultura, em que se paga muito pouco ao verdadeiro produtor do alimento; além disso, uma quantidade lancinante de veneno foi jogada naquela planta, a qual poluiu os lençóis freáticos e matou a biodiversidade do solo; o produtor vai ter uma vida menor do que a nossa e isso acontece devido ao seu tempo prolongado de exposição ao veneno; depois de vendido, o alimento é transportado para muito longe, pois o esquema de cidade-campo separou totalmente a zona produtora de alimento da maioria dos consumidores. No caso da carne ou do ovo, o animal sofreu tortura, foi brutalizado e transformado em coisa - o que todo mundo que já teve cachorro sabe perfeitamente que um animal não é; para dar continuidade ao processo de violência, ele é morto ou separado da mãe ao nascer (para ser morto) e a mãe, coitada, será vítima de tortura por toda sua vida, só para gerar o leite que tomamos no café da tarde.

Uma colher pode fazer toda a diferença!
Fonte: Revolução da colher RP
Toda esta violência só pode gerar violência, pois no caminho, quantos assassinos de humanos não surgem da loucura adquirida, de todo dia ser pago para torturar e matar um animal? E quanta impunidade, morte e sentimento de vingança não surgem da doença do meio-ambiente e dos agricultores, envenenados pelos agrotóxicos? Para o fim de toda esta violência só pode existir uma solução: comer alimentos que não surgiram da violência! Abolir os produtos de origem animal, plantar suas próprias ervas, comprar o que não se pode cultivar de pequenos produtores orgânicos; esta aí  pequeno passo inicial! E foi pensando nisso que o movimento social “A revolução da colher” surgiu no mundo! Ele foi uma forma de mostrar para as pessoas que a colher do dia a dia é um
dos objetos mais poderosos para mudar a história de violência a que a humanidade passa e que só nos basta um ato: o de refletir sobre nossa alimentação, para começar a fazer a diferença.

A era das armas acabou. Fonte: The spoon revolution Canada
Eu não acredito que um mundo carnívoro possa um dia levar a uma sociedade justa! As pessoas ainda podem estar centradas na falsa ideologia do voto ou dos governantes ou até pensem em se filiar a partidos, mas não adianta entrar na roda política do sistema, enquanto a violência é realizada todos os dias pelos maiores aspirantes a salvador da humanidade! Matar um animal e torturá-lo; destruir o meio-ambiente e trazer injustiça para muitos seres humanos é algo tão intrínseco a nossa sociedade que somente um simples ato de boicote pode começar a fazer desaparecer toda uma esfera nefasta de nosso mundo e com ela, por que não, todas as esferas!

Está na hora de lhes dar voz!
Fonte: SodaHead
Eu não vou dizer que será fácil! Para alguns é muito fácil mudar a si mesmo, mas eu digo que para a maioria é um trabalho diário e árduo, como é para mim! Mas não desista! Viver só faz sentido se gerarmos o fruto de um grande aprendizado em nossas vidas e nos melhorarmos a nós mesmos e é por isso que é preciso ir além do que nos ensinaram, mesmo que doa um pouco no começo. Saiba que parar de comer animais e seus derivados aumentará a sua qualidade de vida, diminuirá as chances de diabetes, hipertensão e doenças cardíacas e até os riscos de contrair câncer; ademais, toda uma nova culinária saborosa o espera do outro lado! Por fim, não se esqueça que levando de brinde um alimento saboroso e uma saúde impecável, você ainda ajuda a revolucionar a história deste planeta!
Portanto, junte-se a revolução da colher e colabore com o mundo, com você, com os animais e todos os outros seres vivos! Eu imagino que muitas pessoas achem que sou ingênua por acreditar que refletir sobre os alimentos e mudar a si mesmo possa mudar alguma coisa séria no mundo, mas eu não me deixo vencer!

Na foto: Milhares de animais são feitos sem-teto a cada mês. Ajude
a manter a vida selvagem na selva. Fonte: BornFree
Eu sei que fazer política ainda tem o ranço dos partidos e da ideia da presença de um líder. Eu sei que as pessoas entendem por política o ato de votar ou até a corrupção que a tomou e também sei que as pessoas ainda veem o ato revolucionário como um ato sangrento, em que um grupo intelectual lidera as massas ignorantes contra a elite assassina. Apesar disso, eu sei que existe outro tipo de política e esta é a política da não-violência! Neste caso, nós vamos a batalha com nossas colheres e depois até aderimos aos processos auto-suficientes, em que passamos a produzir nossas roupas, a criar nossos móveis, a construir nossas casase até nossas novas cidades, sempre lembrando a todos que outro mundo é possível se nós quisermos, somente mudando a nós mesmos e gerando a reflexão no vizinho.
Acredito que esta será uma história para ser contada em breve! É por isso que convido a todos os leitores para mudarem um pouquinho a cada dia e sentirem a diferença! Eu comecei me tornando vegetariana, depois vegana, fui abolindo xampu, condicionador, cosméticos, remédios (os que posso), produtos de limpeza e até crochê eu aprendi a fazer! Não pense que é de uma vez, mas aos poucos nós chegamos lá e juntos poderemos contar a história da revolução da colher e o dia em que as pessoas simplesmente pararam e disseram: Basta!

Observação: dediquei este texto a ideia de revolução da colher, apesar disso existe de fato um movimento social não hierárquico que junta pessoas com o mesmo objetivo do texto. O objetivo do texto é mostrar que a mudança só é possível se quisemos mudar a nós mesmos, para tal, depende de cada um se a pessoa quer ou não se juntar a um movimento organizado. A ideia de revolução da colher perpassa todo o movimento vegano e, em alguns casos, a permacultura e o movimento de sementes crioulas.

Veja o vídeo do movimento da revolução da colher abaixo.


Veja mais informações sobre o movimento
Spoon Revolutionhttp://birth.spoonrevolution.com/
A revolução da colher Brasil: http://revolucaodacolher.blogspot.com.br/ 

Observação: a última frase do vídeo a respeito do aborto não condiz com as ideias do blog. Eu sugiro que esta última frase seja ignorada, visto que o vídeo é sobre o amor universal e os direitos dos animais e não sobre a questão do aborto.

Paz!




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4 comentários :

  1. Porquê a parte do aborto no final do vídeo? Não sejamos contra algo que ajuda muitas mulheres, pois criar uma criança não é nada fácil e não venham com a parte de, não queriam um filho, não engravidassem pois não é bem assim que funciona. 80% das mulheres em todo o mundo irão passar por um aborto espontâneo ou não e mesmo utilizando contraceptivos, é possível engravidar. E porquê pôr tantas hormonas nas mulheres? Ou o chato do preservativo que muitos homens também não gostam? Pois é, temos de pensar nas coisas e parar de julgar. Nós temos mais que deixar de tratar este assunto como um taboo e aceitar que não é crime nenhum. Aliás, é até um controle para a sobrepopulação, já que estamos a chegar aos 9 biliões de pessoas, não é? E há tantas crianças orfãs, a morrer à fome. Sejam coerentes e éticos, como veganos, tenham compaixão! Eu sou vegana e já fiz um aborto. E não foi nada fácil mesmo, muito doloroso mentalmente e quando precisei de apoio, ninguém aceitou a minha decisão, o que fez com que fosse ainda mais difícil. Acreditem, o aborto é bem mais difícil para quem o faz do que para quem julga.

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    Respostas
    1. Oi anônima!

      Tenho discutido muito sobre aborto ultimamente com minhas amigas feministas, e queria deixar um pequeno comentário por aqui. Antes de tudo, dizer que respeito sua decisão e lamento que você não tenha tido apoio, seja de familiares, amigos ou do Estado.

      Acho que o aborto deve ser descriminalizado, e inserido no sistema de atenção à saúde como um procedimento médico, assim como tantos outros. Creio que esse seria o primeiro caminho para diálogos abertos e a possibilidade de ser acolhida por uma decisão que certamente é muito dura para a mulher que o faz.

      Mas ao mesmo tempo, me incomodo quando vamos ao outro extremo.
      Ao mesmo tempo que não tenho dúvida, devemos respeitar o direito à mulher de tomar decisões sobre seu corpo, coibir o direito de livre expressão de pessoas que são contra o aborto é outro tipo de violência. Essas pessoas, assim como os veganos, estão se manifestando por aqueles que não podem (em um caso, os animais, no outro, o feto). A interpretação de onde começa a vida é delicada.

      Não acho que isso deva se manifestar em termos legais (o movimento contra-aborto). Mas acho que temos que garantir a eles o direito de livre expressão, inclusive em tentar convencer mulheres a não abortar (assim como existem campanhas contra o consumo de carne e derivados de animais).

      Retomando: acho que em termos legais e de Estado, o aborto deve ser descriminalizado e inserido enquanto intervenção médica. Mas enquanto direito de expressão, não podemos calar a boca da pessoas que queiram também lutar pela vida em formação, garantindo sempre a soberania da decisão da mulher.

      Talvez no Brasil, onde aborto ainda é crime, esse debate não faça sentido, e negar o discurso anti-aborto seja a única estratégia para tentar lutar contra esse direito negado às mulheres. Mas em países onde ele é permitido, mulheres que tentam se manifestar contra ele são sempre reprimidas pelo movimento feminista. E quando digo lutar, digo desde um associações de acolhida para mulheres grávidas e indecisas (onde elas poderiam discutir caminhos ao término da gestação) até ao simples manifestar de que elas acham isso errado. No final, as mulheres que julgam o aborto como algo ruim são julgadas pelas mulheres que são pró-aborto como pessoas com pensamentos ruins. E ai, ao inves de garantirmos as liberdades sobre o corpo e a liberdade do pensar, vamos `a coibicao.

      P.S. - so pra nao virar balaio de gato, homofobia, racismo, e outras praticas verdadeiramente discriminatorias em nada se enquadrariam pelo o que eu classifico aqui como luta pelas vidas daqueles que nao podem lutar.

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  2. Ps.: Mas, à parte disto, bom texto e muito bom vídeo! Vamos elevar as consciências, abrir mentes para fora do que a sociedade incute, alimentação vegana é possível e será a salvação da evolução humana, sem sombra de dúvidas. No sistema digestivo é que começam as doenças. Uma alimentação com base em fruta, legumes e frutos secos começa o nosso equilíbrio.

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  3. Ola Anonimo! Gratidao pelo comentario! Na verdade, eu tambem nao concordei com a parte do aborto. Acho que estragou todo o resto, que por sinal foi muito bom! Mas, eu pensei que como todo o video (menos esta parte) foi muito bom, eu deveria coloca-lo. Lembrando que ser contra o aborto e apenas uma possivel posicao deste movimento e que esta nao e a visao do veganismo como um todo. Na realidade, cada vegan tem uma opiniao particular sobre o assunto! :) Meu teclado esta sem acento, entao peco desculpas a lingua portuguesa! :D Abs

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